Mariana Vaz faz intervenção artística na Casa de Dona Yayá

Fachada da Casa de Dona Yayá (Divulgação)

Fachada da Casa de Dona Yayá (Divulgação)

Até o dia 30 de junho, o solário da Casa de Dona Yayá recebe a intervenção Belvedere. Concebida pela artista Mariana Vaz, com a colaboração da também artista Mirella Marino e do arquiteto e cenógrafo José Silveira, Belvedere pretende, por meio de uma intervenção artística, discutir aquele solário, seus significados sociais e históricos.

Foi alterado a altura do piso e transformado o solário  em belvedere. O que antes era uma área de confinamento e, provavelmente, sofrimento sutil e vergonha, transfigura-se em área de desfrute e deleite, de onde se admira a paisagem, o jardim e a casa. “Convidamos o visitante a experimentar um novo ângulo de apreciação da casa, do jardim e seus ocupantes. As paredes, que antes oprimiam, convertem-se  em guarda-corpo”, declara Mariana.

Ao construir-se a estrutura cenográfica do belvedere,  outro ambiente é criado: o vão interno, um claustro ou caverna. “Se o miradouro é o espaço da contemplação, o claustro é o limite levado ao extremo. Ali,  resquícios do que o solário um dia representou: restrição, prisão, cárcere, clausura. Nesse espaço, vestígios de sua história precedente: o sofrimento e tristeza que Dona Yayá teria ali sentido; o pesar por infligimos socialmente tais sofrimentos a muitas Yayás no passado e, infelizmente, ainda no presente”, diz a artista.

Exíguo, o claustro permite apenas um visitante por vez. Adentra-se um lugar escuro, onde se ouve passos no belvedere. Assim também Dona Yayá, a enclausurada,  ouvia quem passasse pela casa, na rua ou no jardim. Nesse espaço, uma pequena televisão reproduz vídeo em loop.

No dia 30 de junho, às 11h, acontece a performance BELVEdalário, de Mariana Vaz.

Croquis do projeto Belvedere (Divulgação)

Croquis do projeto Belvedere (Divulgação)

Dona Yayá
A Casa da Dona Yayá foi transferida para a USP como herança jacente em 1961, após o falecimento da  proprietária, Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá. Única e rica herdeira de propriedades, ela foi interditada depois de considerada incapaz de gerir sua fortuna, por “sofrer das faculdades mentais”.

Depois da primeira manifestação da doença e de passar mais de um ano internada, um conselho médico decidiu que ela deveria mudar-se para um lugar mais calmo e tranquilo, uma chácara nos arrabaldes da cidade. Isto aconteceu em meados da década de 1920. Aí viveu por 40 anos, sendo cuidada e vigiada por familiares e empregados.

Várias reformas foram realizadas na casa, de acordo com os tratamentos médicos prescritos, garantindo, quando necessário, o isolamento da interdita.  Durante 40 anos, a casa foi um hospício privado para sua rica moradora, considerada alienada numa época de parcos conhecimentos psiquiátricos e extremamente preconceituosa em relação às mulheres independentes e ousadas, como Yayá.

Em uma das últimas reformas, foram construídos o jardim de inverno e o solário destinado aos banhos de sol da reclusa Yayá. Vale assinalar que estruturas arquitetônicas como o solário aí construídos são encontradas em hospitais psiquiátricos, mas não se tem notícia da existência de outra estrutura semelhante  erguida em casa particular no mundo.

Hoje o imóvel abriga o Centro de Preservação Cultural da USP, órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, dedicado às temáticas do patrimônio cultural.

Serviço:

Intervenção Belvedere
Casa de Dona Yayá
Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, tel. 3106-3562
De segunda a sexta, das 9h às 17h; domingos das 10h às 13h
Grátis.

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