Tomie Ohtake apresenta mostras de Isamu Noguchi e Célia Euvaldo

Até julho, o público paulistano pode conferir duas grandes exposições que acabaram de ser inauguradas no Instituto Tomie Ohtake. Trata-se das mostras dos artistas plásticos Isamu Noguchi e Célia Euvaldo. A extensa obra de Isamu Noguchi (1904-1988) pode não ser muito conhecida no Brasil, mas ao mostrar suas luminárias em papel, dificilmente alguém deixará de reconhecê-las, pois são objetos familiares em residências do mundo todo.

O artista de pai japonês e mãe americana, que viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos, notabilizou-se por sua produção multidisciplinar, assunto que hoje mobiliza o mundo. “Em busca por uma redefinição da escultura, a obra de Isamu Noguchi percorreu caminhos entre a confecção de objetos, desenho industrial, planejamento urbano, cenografia para teatro e dança, esculturas públicas e Land art”, explicam os curadores da exposição Matt Kirsch e Dakin Hart.

A mostra de Isamu Noguchi fica em cartaz até o dia 21 de julho (Divulgação)

A mostra de Isamu Noguchi fica em cartaz até o dia 21 de julho (Divulgação)

Organizada pelo Noguchi Museum, localizado em Long Island, Nova York, no antigo ateliê do artista, e de onde todas as 44 obras são provenientes, a exposição faz uma introdução das várias facetas de um criador que nunca pertenceu a um movimento em particular, mas soube introduzir e antecipar pautas contemporâneas a conceitos modernistas em sua vigorosa produção. Além de suas famosas luminárias em papel que se espalharam pelo mundo, Noguchi ficou conhecido também pelo mobiliário, ao desenhar móveis escultóricos. A mostra reúne desenhos, peças de design e esculturas em vários materiais como, cerâmica, mármore, madeira, granito e bronze.

Isamu Noguchi trabalhando na obra Noodle em seu ateliê, 1940 (Foto: Andre Kertész/Divulgação)

Isamu Noguchi trabalhando na obra Noodle em seu ateliê, 1940 (Foto: Andre Kertész/Divulgação)

Noguchi tem uma produção extensa em escultura, com peças brutas retiradas da natureza, ou em outros materiais com sofisticadas formas, próximas a Brancusi, com quem trabalhou. Expandiu sua atividade para o campo do paisagismo, no qual suas peças se tornaram monumentos referenciais para os espaços. “Diversas amizades e colaborações – relacionadas especialmente ao visionário Buckminster Fuller, à coreógrafa Martha Graham e a uma série de arquitetos e designers do pós-guerra, entre eles Louis Kahn – contribuíram para aprofundar seu pensamento sobre o papel desempenhado pela escultura no mundo”, afirmam os curadores.

Paralelamente, Célia Euvaldo apresenta Sobre Parede, sua primeira individual no Tomie Ohtake, em uma das salas do mezanino. Acostumada a pintar telas de grandes dimensões, a artista encarou o desafio de extrapolar esse limite, realizando uma intervenção diretamente nas paredes do espaço expositivo. De escala expansiva, o site-specific segue a proposta pictórica da artista, conhecida pela produção de desenhos e pinturas sempre em preto sobre o branco ou somente com uma das duas cores.

No lugar de pincéis, Célia utiliza vassoura e rodo, dando dimensão ao gesto e produzindo diferentes relevos. Suas “varreduras’ levam o tempo da tinta, que vai rareando até se extinguir o traço, muitas vezes utilizando a força de seu corpo inteiro. Para a realização dessa intervenção, a artista mandou produzir uma vassoura de 120 cm, ideal para preencher os espaços da grande sala que a exposição ocupa.

Célia vem expondo regularmente desde meados da década de 80, tendo obtido o 1º prêmio – Viagem ao Exterior – no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas em 1989. Entre 1988 e 1997, seu trabalho consistiu basicamente em desenho sobre papel, explorando e estirando os limites dessa categoria. A partir de então, a pintura tem sido seu foco principal. Entre as mostras mais recentes, realizou individuais em 2011 no Museu da Gravura Cidade de Curitiba, e na Lemos de Sá Galeria, Belo Horizonte, bem como a mostra Poeminhas, no Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo. Em 2006, apresentou a exposição Brancos, na Estação Pinacoteca, também em São Paulo, além de participar, em 2005, da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.

 

Serviço:

Exposições dos artistas Isamu Noguchi e Célia Euvaldo
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201, Pinheiros, tel. 2245-1900 (Metrô Faria Lima)
Isamu Noguchi – até 21 de julho
Célia Euvaldo – até 28 de julho
De terça a domingo, das 11h às 20h
Grátis.

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