Pinacoteca apresenta mostra de William Kentridge

No dia 31 de agosto, a partir das 11h, a Pinacoteca apresenta a exposição William Kentridge: Fortuna, com 38 desenhos, 27 filmes e animações, 184 gravuras e 10 esculturas produzidas pelo renomado artista sul-africano entre 1989 e 2012, incluindo séries inéditas de trabalhos. Essa é a primeira grande mostra monográfica sobre Kentridge na América do Sul. Especialmente concebida para o Brasil, a exposição chega ao país graças à parceria entre o Instituto Moreira Salles e a Fundação Iberê Camargo – que já receberam a mostra.

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A mostra fica em cartaz até o dia 17 de novembro

Sob curadoria de Lilian Tone, a exposição colocará em evidência o processo de criação pouco convencional do artista em seu estúdio, em Johannesburgo. A escolha das obras, portanto, ao contrário de privilegiar um viés temático, destaca a variedade e o vigor da atividade multifacetada do artista, mostrando como seu trabalho se dissemina por contaminação interna, em diferentes escalas e plataformas – desenhos, gravuras, ópera, esculturas, filmes, teatro e performance.

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Rinoceronte

Kentridge alcançou visibilidade internacional com a série de curtas-metragens Drawings for Projection (Desenhos para projeção). Iniciada em 1989 (o filme mais recente, Other Faces, foi finalizado no ano passado), a série constitui, segundo o artista, o alicerce de sua produção. Todos os dez filmes serão mostrados pela primeira vez em conjunto, acompanhados por 23 desenhos que o artista executou ao preparar os filmes, criando uma oportunidade única para examinar o diálogo entre desenho e filme e o processo de criação das obras.

Os filmes têm uma aparência diferente das animações convencionais, devido a uma técnica caseira, inventada por Kentridge, que o artista descreve como “cinema da idade da pedra”. Kentridge filma, quadro por quadro, alterações que faz sobre um único desenho, realizado em carvão ou pastel. Apaga, adiciona, subtrai, acumula, redesenha. O método, marcado por sucessivas mudanças e redefinições, não só se manifesta na percepção da obra como se incorpora à imagem.

Na sequência dos desenhos, marcas brutas tornam-se linhas elegantes, que se transformam, com fluidez, em outras imagens. Na obra de Kentridge, é constante a utilização de objetos cotidianos, muitas vezes itens que o artista tem à mão em seu estúdio: um pote de café, uma tesoura. Mais do que apenas o espaço de trabalho, dentro de sua obra o estúdio assume a função de palco, de mise-en-scène e de sujeito, sendo parte de vários trabalhos que estarão na exposição.

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Felix no exílio, da série Desenhos para projeção

Para construir sua obra, Kentridge utiliza elementos reais, referências atuais de lugares, situações e eventos. O mais forte desses elementos é a memória social da África do Sul e seu histórico do Apartheid, mais especificamente na cidade de Johannesburgo – onde Kentridge nasceu, vive e trabalha. A noção de “fortuna”, princípio guiador do processo artístico de Kentridge, e presente no título da exposição, traz o sentido de acaso, de destino, de devir.

Segundo o próprio artista: “fortuna é um termo geral que utilizo para essa gama de agenciamentos, algo diverso da fria probabilidade estatística, no entanto fora do âmbito do controle racional”. Em outras palavras, é possível entender esse conceito como um acaso direcionado, uma engenharia da sorte, em que pré-determinação coexiste com possibilidade. Fortuna refere-se a uma condição do trabalho artístico em estado constante de construção; a um sentido de descoberta, menos do que invenção, à celebração da excentricidade, mas não em detrimento do engajamento político.

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Desenho para o filme Felix no exílio

Serviço:

William Kentridge: Fortuna
Pinacoteca
Praça da Luz, 2, tel. 3324-1000 (Metrô Luz)
Até 17 de novembro
De terça a domingo, das 10h às 17h30
R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)
Grátis aos sábados.

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