São Paulo sedia a 1ª festa internacional literária da cultura negra

A escritora moçambicana Paulina Chiziane, um dos grandes nomes do evento (Divulgação)

A escritora moçambicana Paulina Chiziane, um dos grandes nomes do evento (Divulgação)

Nos dias 15, 16 e 17 de novembro, das 10h às 22h, o Memorial da América Latina, em São Paulo, receberá a primeira festa internacional literária da cultura negra. A Flink-Sampa nasceu da necessidade de se valorizar e promover a produção cultural negra no país e oferecerá atividades gratuitas. A programação reúne 25 autores nacionais e internacionais.

Nomes como Joel Rufino dos Santos, Nei Lopes, Paulo Lins e a escritora moçambicana Paulina Chiziane integrarão a feira. O evento, iniciativa da ONG Afrobras e da Faculdade Zumbi dos Palmares, também terá atividades culturais como apresentações de teatro, cinema, música, dança e seminários.

O Brasil tem mais de 250 feiras literárias, como a Flip, que é a Festa Internacional Literária de Paraty, a Bienal do Livro e a feira de Porto Alegre. O escritor Uelinton Farias Alves, curador da Flink, reforça a importância da feira como movimento cultural negro. “Em todos esses eventos a presença do autor negro ou da temática negra é ausente.”

O país é convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, deste ano. Apesar disso, dos 70 autores brasileiros levados para a feira alemã, apenas um é negro. A festa pretende revelar autores e revisitar obras produzidas por negros. “Existem vários autores negros, muitos com obras importantíssimas e premiadas. O mercado não os enxerga comercialmente, como produto vendável”, ressalta Uelinton, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

O evento terá como patrono Cruz e Sousa, considerado o precursor literário do simbolismo e poeta negro brasileiro. Além disso, a organização da Flink pretende entregar um documento que requer providências em relação ao alto índice de violência contra a juventude negra da periferia ao governo federal.

A diretora-geral da feira, Ruth Lopes, explica que os debates envolverão as questões negras que precisam ser vistas por mestres e acadêmicos por um olhar específico. “Acho que todas as questões que estão em pauta no país devem ser debatidas por brancos e negros. Mas algumas precisam ser discutidas pelo olhar do negro, que são as que nos atingem mais especificamente: o número altíssimo de mortes dos jovens negros e a questão das cotas. Como estão os cotistas hoje? Qual a situação deles no ensino superior?”

Ouça AQUI a reportagem completa de Anelize Moreira.

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