Documentário de Paulo Pastorelo chega aos cinemas

A partir desta sexta-feira (dia 22), chega aos cinemas Tokiori – Dobras do Tempo, documentário de Paulo Pastorelo que mergulha na memória de cinco famílias de imigrantes japoneses que se instalaram no Brasil nos anos 1930. Foi no bairro rural da Graminha, no oeste paulista, que os destinos destas famílias se cruzaram numa história marcada por constantes deslocamentos entre os dois países. São travessias nas quais terra natal e terra estrangeira se confundem e revelam novas identidades mestiças tecidas ao longo de três gerações. O filme tem sessão única, às 18h30, no Espaço Itaú de Cinema do Shopping Frei Caneca (R. Frei Caneca, 569, 3º andar).

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O bairro rural da Graminha agrupa pequenos sítios tocados por famílias de origem japonesa cercados por fazendas de criação de gado. Yoshie Sato chegou no Brasil em 1929, aos 9 anos de idade, acompanhada dos pais, quatro irmãs e o irmão mais velho. Depois da vida de colono numa fazenda de café na região da Mogiana, chegaram na Graminha por volta de 1936, onde ela e suas irmãs foram o pivô de uma série de casamentos que uniram, em laços de parentesco, as principais famílias japonesas fundadoras do bairro: os Yanai, Yoshimi, Funo e Okubo.

TokioriDivulgacao2Atualmente, a Graminha conta com pouco mais de 20  pessoas, dentre as quais é difícil de encontrar alguém que não seja primo(a) ou ao menos parente próximo. Aos 90 anos, Yoshie é viúva e vive no sítio com a família do seu filho mais velho. Três gerações reunidas sob o mesmo teto.

Para tentar se aproximar dessa experiência de travessia, Tokiori se articula em torno de cinco viagens entre o Japão e o Brasil, realizadas entre 1927 e 1992. Essas idas e vindas, vivenciadas por um ou outro membro dessas famílias, acontecem em períodos específicos nos quais mudanças de ordem econômica e política nos dois países tiveram repercussões diretas sobre suas vidas, emaranhando cada vez mais suas referências identitárias.

Por meio desse mergulho nas memórias dessas famílias, nós percebemos melhor as implicações dessa constante travessia entre os dois países, duas culturas e dois modos de vida em si próprios já múltiplos. Assim, Tokiori procurar trazer para o primeiro plano a experiência dessas trajetórias de vida, passadas e presentes, seus pontos de ancoragem e pertencimento. Uma crônica do exílio à margem da História e dos discursos oficiais que celebraram o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil em 2008.

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