Auditório Ibirapuera recebe segunda edição do festival O Boticário na Dança

Por Rafael Ventuna*

A comemoração do Dia Internacional da Dança (29 de abril) será marcada neste ano, em São Paulo, pela noite de abertura da segunda edição do festival O Boticário na Dança. O evento reúne, de terça (dia 29) a domingo (dia 4), uma breve (porém significativa) amostra da produção internacional.

Apesar de um ligeiro encolhimento da programação na capital paulista, em relação à sua primeira edição no ano passado, o festival expandiu-se e terá programação novamente em Curitiba (onde fica a sede da empresa patrocinadora) e no Rio de Janeiro. A inserção de Recife no roteiro de 2014 é a grande novidade.

O evento é uma reedição do histórico Carlton Dance Festival, realizado nas décadas de 80 e 90 e conhecido por apresentar ao público brasileiro obras de vanguarda. Agora, em tempos internéticos, o desafio da curadoria de Dieter Jaenicke e Sheyla Costa é completamente outro: disputar a atenção de um público cada vez mais assediado por um sem fim de atrativos. A julgar pelo esgotamento antecipado dos ingressos colocados à venda, eles já estão com a missão cumprida.

Para os que ainda não conseguiram adquirir ingressos, o Auditório Ibirapuera organiza a “fila dos sem”. A regra é a seguinte: havendo desistências, os lugares livres serão vendidos no dia da apresentação mediante uma fila formada por ordem de chegada no dia de cada espetáculo. No domingo (dia 4), haverá uma apresentação gratuita do espetáculo Decadance, às 18h, na área externa do Auditório.

Cena de iTMOI (Foto: Jean Louis Fernandez/Divulgação)

Cena de iTMOI (Foto: Jean Louis Fernandez/Divulgação)

NOVO VELHO MUNDO
A programação é indiscutivelmente pautada na seleção de trabalhos de dança internacional (ou se preferir, “tipo exportação”). Apesar de as coreografias nunca terem sido apresentadas no Brasil, não há ineditismo estético ou vanguarda.

A companhia de Akram Khan, baseada em Londres, fará a abertura da mostra. Uma escolha segura, pois a bem sucedida passagem de Akram em 2011 – dentro da programação da Temporada de Dança do Teatro Alfa – deixou o público paulistano com gostinho de “quero mais”, especialmente após a apresentação do estonteante solo de Gnosis, onde o coreógrafo-bailarino mostrou a fusão entre contemporâneo e kathak.

Desta vez, será apresentada a peça iTMOi (in themindof Igor) uma referência ao russo Igor Stravinsky, compositor de A Sagração da Primavera. A coreografia é uma celebração ao centenário da obra, comemorado em 2013.

A segunda noite está reservada para ver um mito (ainda vivo!) da dança contemporânea: Louise Lecavalier. Conhecida pelo trabalho realizado junto à companhia canadense La LaLaHumanSteps, ela dançará com Frédéric Tavernini em So Blue. O último encontro de Louise com o público brasileiro foi em 2006.

Os chineses da TAO Dance Theater trazem duas coreografias intituladas (ou enumeradas?!?) 4 e 5. Na primeira, quatro bailarinos dançam separados em uma vertiginosa sincronia. Na segunda, são cinco bailarinos que vão fundindo seus corpos durante a movimentação. Uma boa pedida para quem gosta de teatro físico e afins.

Como é de praxe (desde os tempos do Carlton Dance…), há uma noite reservada para a produção nacional. A convidada da vez é a carioca Focus Cia. de Dança, que é atualmente a companhia de dança mais bem cotada e badalada no Brasil. Fato explicado pela avassaladora repercussão de As canções que você dançou pra mim, que tem hits de Roberto Carlos como trilha sonora. Além da agenda lotada, a companhia foi contemplada com o concorridíssimo patrocínio da Petrobras. Atuante desde o final da década de 90, a Focus tem como diretor e coreógrafo o também bailarino Alex Neoral. Na noite de sexta, será apresentado o espetáculo Ímpar, uma produção de 2010.

Para encerrar o festival, a Batsheva Dance Company faz dupla sessão de Decadance. Na noite de sábado, a apresentação será para a plateia no interior do Auditório. No domingo, será para a plateia externa e com acesso gratuito. A coreografia é assinada pelo israelense OhadNaharin, uma figurinha conhecida que assinou coreografias já dançadas em palcos paulistanos pelo Balé da Cidade de São Paulo, Alvin Ailey American Dance Theater e pela própria Batsheva.

*Rafael Ventuna é jornalista e crítico de dança, com especialização em Economia e Gestão de Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas. É também pesquisador de Dança Contemporânea Brasileira.

Serviço:

Festival O Boticário na Dança
Auditório Ibirapuera
De 29 de abril a 4 de maio
R$ 20 / R$ 10 (meia)

Dia 29, às 21h, Akram Khan Company
Dia 30, às 21h, Louise Le Cavalier
Dia 1º, às 21h, TAO Dance Theater
Dia 2, às 21h, Focus Cia. de Dança
Dia 3, às 21h, Batsheva Dance Company
Dia 4, às 18h, Batsheva Dance Company (gratuito)

Duração: 70 minutos (aproximadamente)
Classificação: 14 anos

Para ver a programação das outras cidades, acesse www.oboticarionadanca.com.br

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