Tomie Ohtake apresenta obras de Elaine Arruda e Márcia de Moraes

Com curadoria de Paulo Miyada e Julia Lima, a exposição Cheio de Vazio reúne obras de duas artistas que trabalham a gravura de maneira particular e em grandes dimensões. A mostra faz parte do programa Arte Atual, assim como a recém-inaugurada e em cartaz Medos Modernos, organizado pelo Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake para promover exposições coletivas de artistas emergentes, em que projetos experimentais ambiciosos possam ser concretizados e apresentados ao público, contando, para isso, com o apoio ativo de galerias de arte presentes no país.

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Em Cheio de Vazio – que fica em cartaz até 4 de maio, a paraense Elaine Arruda utiliza martelos, formões, solda e outros instrumentos usualmente empregados na confecção de escadas e portões para trabalhar sobre amplas chapas metálicas, na própria metalúrgica. O processo seguinte consiste em transportar a chapa, então irregular, até outra metalúrgica, também localizada no Cais do Porto de Belém do Pará, onde é soldada a uma máquina de calandragem, para funcionar como matriz de uma gravura de grande formato, com cerca de um por dois metros.

Segundo os curadores, esta operação implica, sobretudo, em saturar as possibilidades implícitas na profundidade do rasgo da ponta seca sobre a matriz de metal. Miyada e Lima comparam a gravura de Elaine à cidade de Belém, que está inserida de forma peculiar entre um amplo rio e uma floresta densa, úmida e quente, onde todo vazio precisa ser conquistado pelo homem.

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Já as obras de Marcia de Moraes, incluindo os desenhos que irá apresentar em “A parte que não te pertence”, constituem-se por intensa e detalhada construção de campos cromáticos. Utilizando apenas lápis de cor sobre papéis de grande formato, a artista cria áreas de cor vibrantes, as quais seguem curvas tão sinuosas que parecem resultar do escoamento de tintas e líquidos.

Porém, destacam os curadores, não há nada de líquido na sua fatura, pois são necessárias horas e horas de trabalho para preencher cada pequena área do desenho. Segundo eles, essa discrepância cria espaço para que as obras falem não só de aspectos formais da arte, mas também lidem com as expectativas e projeções psicológicas da própria autora – o que a coloca em relação com artistas brasileiros como Maria Martins e Flávio de Carvalho.

Serviço:

Cheio de Vazio
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201, Pinheiros, tel. 11.2245-1900 (Metrô Faria Lima)
De terça a domingo, das 11h às 20h
Até 4 de maio
Grátis.

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