Ópera Madame Butterfly faz apresentações gratuitas na capital

O programa Ópera Curta, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo apresenta a estreia do espetáculo Madame Butterfly - a Ópera Contada e Cantada, baseado na obra de Giacomo Puccini. A peça integra a temporada 2014 de circulação de espetáculos, em versões adaptadas de títulos famosos, para cidades do Estado de São Paulo. Com o intuito de aproximar os espectadores do universo da ópera, todas as apresentações são gratuitas e acontecem nesta terça e quarta-feira (dias 8 e 9), às 20h, no Theatro São Pedro, na capital, e percorrerá Jundiaí (dia 19), Indaiatuba (dia 23) e Itatiba (dia 26), entre outras.

As apresentações são gratuitas (Foto: Sylvia Masini/Divulgação)

As apresentações são gratuitas (Foto: Sylvia Masini/Divulgação)

O Ópera Curta contempla a criação de espetáculos baseados em óperas famosas, cujo conteúdo é um texto teatral que aborda uma visão pouco convencional do libreto – texto dramatúrgico da ópera – baseado na história original. A série tem a história contada, mantendo a linha mestra da ópera original com as principais árias e duetos, legendas em português, cenários, figurinos e iluminação. Para essa temporada, o projeto completará apresentações em 170 cidades do Estado, desde sua criação, com público estimado em mais de 100 mil espectadores. Os municípios receberão adaptações de títulos mundialmente conhecidos: Carmen, La Traviata, La Bohème.

Madame Butterfly é baseada na ópera homônima – Madama Butterfly – de Giacomo Puccini (1858 – 1924). Na versão original, Cio-Cio San (Madama Butterfly) matou-se segundos antes de Pinkerton, em desespero alucinado, gritar seu nome ao chegar à sua casa em Nagasaki, para onde fora determinado a acolher seu filho e da jovem japonesa, levando-o para os Estados Unidos.

O espetáculo adaptado se passa entre os anos 1904 e 1928, e conta a história de Madame Butterfly sob o ponto de vista do que aconteceu com o filho de Cio-Cio San e Benjamim Pinkerton, depois que foi levado para a América e como lhe foi contada a trágica história de sua mãe anos mais tarde. As circunstâncias levaram Butterfly a viver um longo período de privações.

Nesta montagem, a Companhia de Ópera Curta apresenta os principais trechos musicais da ópera, ligados por um texto teatral. A direção do espetáculo é assinada por Cleber Papa, a direção artística de Rosana Caramaschi e o responsável pela direção musical, assim como pela adaptação das partituras originais é o maestro convidado Branco Bernardes.

(Foto: Sylvia Masini/Divulgação)

(Foto: Sylvia Masini/Divulgação)

Serviço:

Madame Butterfly – a Ópera Contada e Cantada
Theatro São Pedro
Rua Dr. Albuquerque Lins, 207, tel. 11 3667-0499 (Metrô Marechal Deodoro)
Dias 8 e 9 de abril, às 20h
Grátis.

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1 Comentário

  1. A PSICOLÓGICA MADAMA BUTTERFLY NO PALCO DO SÃO PEDRO. CRITICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

    O palco do Theatro São Pedro recebeu nos dias 08 e 09 de Abril um título da série Ópera Curta, Madama Butterfly, a Ópera Contada e Cantada. A monumental obra de Puccini ganha uma versão reduzida nesse programa visando ser exibida em diversos palcos do Estado de São Paulo e para um público iniciante. A Cia Ópera Curta já exibiu por todo o Estado de São Paulo títulos como La Bohème, Carmen e La Traviata, todos em forma reduzida. Público carente de cultura sempre lota os teatros do interior para ver essas montagens.
    A concepção de Cleber Papa e Rosana Caramaschi para a obra é a leitura psicológica dos personagens. Incia-se com Sharpless em idade avançada com o filho já adulto que Cio-Cio San tivera com Pinkerton. Ambos voltam ao Japão no ano de 1928 e relembram a história de Madama Butterfly. Diálogos falados explicam e tornam a obra didática para aquele que não conhece o texto. A integração do presente com o passado dá agilidade e as partes excluídas não fazem falta nessa versão, tudo é explicado pelas falas ágeis do texto.
    O cenários corretos, a luz coerente de Joyce Drumont e os figurinos adequados transportam para o Japão do início do século XX. A direção musical e transposição da partitura de Branco Bernardes para oito músicos traduz em notas simplificadas as melodias compostas por Puccini. Cenários, figurinos, luz e música casam com a ideia de fazer “teatro musical encenado para contar a história de ópera famosas, com elementos de introdução ao gênero”
    Dois elencos escalados para as apresentações é como assistir duas óperas diferentes, cada artista emprega seu estilo. Cantar Madama Butterfly não é tarefa fácil, a voz tem que começar lírica e com as amarguras que a personagem sofre no decorrer da história ganha peso e termina como spinto tendendo para o dramático. Massami Ganev é soprano oriunda do Japão e residente no Brasil, tendo como professora a grande Eiko Senda (Cantou Cio-Cio magistralmente no Municipal de São Paulo diversas vezes) captou a essência da personagem e mostrou um timbre lírico no início que foi amadurecendo no decorrer da apresentação. Voz com várias nuances: Sólida nos agudos, rica nos graves e encorpada no todo. Apesar da pouca idade mostra um timbre escuro e cavernoso. Cenicamente mostrou uma Butterfly que vai do inocente ao desespero, só ela acredita que o casamento com Pinkerton era sério.
    Taís Bandeira mostrou como Cio-Cio San uma bela voz de soprano, lírica, adocicada que penetra macia nos ouvidos, adequada para o início da ópera. Não conseguiu o peso vocal necessário, faltou a dramaticidade e a escuridão no timbre na cena final. Tentou compensar com potência vocal, isso é moleza em um teatro pequeno. Cenicamente conseguiu uma dramaticidade forte que arrancou lágrimas de diversos espectadores.
    Benjamin Franklin Pinkerton foi interpretado na primeira noite pelo tenor Eric Herrero, voz desigual com agudos diversas vezes secos e opacos. Melhorou no fim da apresentação onde conseguiu um colorido e uma emissão melhor. Não se pode falar o mesmo de Gilberto Chaves, o segundo Pinkerton mostrou bons agudos e sustentou bem diversas notas emprestando grande dramaticidade ao personagem. Cantou com grande qualidade melódica e interpretou com bons atributos cênicos.
    Vinícius Atique apresentou enorme talento vocal e cênico como Sharpless, o barítono, que lembra Jesus Cristo pela sua vasta cabeleira negra quando fora do palco, impôs excelentes graves, voz marcante e consistente. Cenicamente sua atuação equivale a um ator profissional de teatro, contou a história da Butterfly com primor na dicção e nas falas. Sebastião Teixeira é um profissional calejado da ópera, todas suas atuações são de qualidade superior e dessa vez não foi diferente. Na segunda noite mostrou, mais uma vez, grande talento vocal, com uma voz potente e munida de bons agudos e graves cheios.
    Outro destaque fica pela bela interpretação vocal de Laura Aimbiré, o mezzo-soprano mostrou excelente qualidade vocal nas duas noites, colocou dramaticidade e empolgação à personagem. Gabriela Rossi como Mussumê teve interessantes passagens cênicas.
    Fica aqui uma dica as mães que querem levar seus filhos à ópera. Esse é um projeto interessante para introduzir a petizada no tema, mas cuidado com o exagero. Levar uma criança de dez meses é correr um risco desnecessário. A criança chorou e fez barulho durante todo o começo da apresentação. A mãe estava tão entretida com o espetáculo que recusou o pedido de sair das assistentes duas vezes, na terceira percebeu que a situação estava incontrolável e a plateia já estava reclamando em excesso, só ela se mandou.
    A escolha de um bom elenco, os cenário simples e adequados ao libreto, os figurinos e a luz que acompanham a ideia central, a redução da história mostrando as partes mais interessantes, a partitura que expõe as melodias mais chamativas são fatores que farão com que essa Madama Butterfly viaje o interior do Estado de São Paulo e seja um sucesso de público. Ganha a população, ganha a ópera.

    Ali Hassan Ayache

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