Deborah Colker estreia peça baseada no romance erótico “A Bela da Tarde”

Rafael Ventuna*, do Rio de Janeiro

Deborah Colker não economiza ousadia. E é em uma Sexta-Feira 13, durante a Copa do Mundo (!), que sua companhia faz a estreia de Belle, espetáculo baseado no romance A Bela da Tarde. Erotismo e sensualidade são alguns dos temas que viraram coreografia no ano comemorativo dos 21 anos da companhia. Quem estiver pelo Rio, a função começa às 21h.

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Depois da sua experiência com literatura na montagem anterior intitulada Tatyana (2011), em que mergulhou na obra Evguêni Oniéguin, do russo Alexansdr Puchkin, Deborah amplia seu desafio e provoca seu público a revistar dois clássicos: o livro Belle de Jour (1928), do franco-argentino Joseph Kessel, e o filme homônimo (1967), do cineasta mexicano Luis Buñuel, que imortalizou o romance nas telonas juntamente com Catherine Deneuve, que interpretou a entediada, aristocrata e “pervertida” Séverine.

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Casada com um homem rico e aborrecida com sua vida sem graça, Séverine se atrai pelo submundo do sexo pago e decide dar expediente em um bordel durante as tardes, enquanto seu marido trabalha.

“A coexistência entre a carne e o espírito, entre o desejo e o amor, é impossível, mas inevitável. Essa mulher se divide entre duas servidões. Esta é uma questão humana, de todos nós”, resume Deborah.

O romance que foi considerado erótico em seu lançamento no início do século 20, pode atualmente não chocar mais a plateia. Deborah revela que seu novo espetáculo é um agrupamento de atitudes revolucionárias e históricas ocorridas nas artes. Incluindo o uso e a troca de sapatilhas por sapatos de salto alto.

Para Deborah, dançar na ponta dos pés é um recurso da dança clássica de que ela se apropria com muito prazer. “Quando Isadora Duncan tirou as sapatilhas, no início do século 20, foi uma grande ruptura. Mas a roda continua rodando. Pina Bausch voltou para as pontas e para as histórias. A atitude contemporânea é a ausência da fórmula”, justifica ela.

Rafael Ventuna é jornalista e crítico, com especialização em Economia e Gestão de Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas. É também pesquisador de Dança Contemporânea Brasileira.

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Serviço:

Belle – Cia. de Dança Deborah Colker
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
De 13 a 16 de junho
Sexta, às 21h. Sábado, às 17h e 21h. Domingo, às 17h. Segunda, às 21h.
R$ 20 a R$ 100.

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