Ciclo de palestras reúne importantes pensadores nacionais e estrangeiros no Sesc

Estão abertas as inscrições para o ciclo de palestras Mutações – Fontes Passionais da Violência, que acontece entre os meses de agosto e outubro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com organização do jornalista e filósofo Adauto Novaes.

(Imagem divulgação)

(Imagem: divulgação)

Em sua 8ª edição, o evento – que será realizado simultaneamente no Rio de Janeiro – é composto por 22 palestras, que, a partir de discussões sobre o tema escolhido, tem por objetivo refletir sobre o papel das paixões nos destinos da humanidade. A proposta é pensar a violência não apenas como o efeito de causas objetivas, atribuídas quase sempre a razões econômicas e sociais, mas também como parte do humano, de forças instintivas que existem inerentes à vontade humana, e que cada vez mais têm tomado conta do espírito.

Os debates reunirão alguns dos mais importantes pensadores nacionais e internacionais. São eles: David Lapoujade, Eugenio Bucci, Francisco Bosco, Franklin Leopoldo e Silva, Frédéric Gros, Frédéric Worms, Gilles Battaillon, Guilherme Wisnik, Isabelle Delpla, Jean-Pierre Dupuy, José Miguel Wisnik, Luis Alberto Oliveira, Marcelo Coelho, Marcelo Jasmim, Maria Rita Kehl, Newton Bignotto, Olgária Matos, Oswaldo Giacoia Jr., Pascal Dibie, Pedro Duarte, Renato Lessa e Vladimir Safatle.

(Imagem: divulgação)

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A palestra de abertura em São Paulo será realizada pelo cientista político Renato Lessa, no dia 14 de agosto. Ele abordará o tema “Violência, verdade natural e ética”, uma reflexão a partir de Marx, Durkheim e Weber sobre as características sociais e culturais que definem as ações humanas, em contraponto ao pensamento de Vilfredo Pareto, que aponta para uma dimensão pré-social, de caráter irracional ou evidente em relação a este comportamento. Trata-se, portanto, de tentar definir, entre esses dois extremos, onde se situa a violência.

As conferências em São Paulo ocorrerão sempre às quartas, quintas e sextas-feiras. As inscrições podem ser feitas no portal www.sescsp.org.br ou nas unidades do Sesc São Paulo. O número de vagas é limitado.

Na ocasião da abertura, será lançado o livro que reúne os artigos dos conferencistas da edição anterior, intitulado Mutações – O Silêncio e a Prosa do Mundo, organizada por Adauto Novaes e publicada pelas Edições Sesc.

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(Imagem: Divulgação)


Mutações – Fontes Passionais da Violência

PROGRAMAÇÃO

14 de Agosto – quinta-feira – São Paulo – 19h30
09 de Setembro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h

Renato Lessa | Violência, verdade natural e ética

A partir de Marx, Durkheim e Weber, a noção de que a inteligibilidade das ações humanas é definida por meio de predicados sociais e culturais está inscrita na epistème do século 19. Assim, pouco depois, cabe a um “maldito”, Vilfredo Pareto, a noção de que haveria uma dimensão pré-social, de caráter irracional ou alógico. Trata-se, portanto, de tentar definir, entre esses dois extremos, onde se situa a violência.


19 de Agosto – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
21 de Agosto – quinta-feira – São Paulo – 19h30

Pedro Duarte | As novas formas da violência

De Heráclito a Sartre, passando por Nietzsche, Hegel e Marx, a violência foi glorificada como fundação histórica. Já o século 21 parece ainda não ter encontrado seu lugar, senão como partícipe de uma ampla mutação, o que gera dúvidas, tais como: existe, hoje, violência legítima, ou toda violência é, de antemão, ilegítima? A civilização técnica teria gerado uma espécie de violência sem autor; a violência banal e cotidiana?


20 de Agosto – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
22 de Agosto – sexta-feira – São Paulo – 19h30

Newton Bignotto | Terror e política

Partindo da Revolução Francesa, passando pelos trabalhos de Hannah Arendt e Michel Foucault, trata-se de procurar entender de que maneira o terror pode ser pensado como uma marca de nosso tempo e como, em suas várias formas, ele veio a alterar não apenas o curso da guerra e das políticas de repressão de alguns Estados soberanos, como também a própria compreensão da política.


25 de Agosto – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
27 de Agosto – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Olgária Matos | A Guerra de Tróia não acontecerá: reflexões sobre a não-violência

Ser moderno é ter sofrido um trauma: “Tal é a experiência que Baudelaire erigiu à posição de sabedoria. Ele indicou o preço que é preciso pagar para aceder à sensação da modernidade: a destruição da aura na experiência do choque” (Walter Benjamin). Desde então, a liquidação da aura se dá na sociedade de produção em série, do consumo de massa e na aceleração do tempo sob o primado da permanente e crescente excitação.


26 de Agosto – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
28 de Agosto – quinta-feira – São Paulo – 19h30

Oswaldo Giacóia Jr. | Transfigurações do Caos

Não seria a violência a forma das relações humanas? Tal questão oferece a possibilidade de pensar os destinos da civilização em suas múltiplas dimensões, uma vez que violência e paixão são termos constitutivos do humano, tanto como paixão da violência como quanto violência das paixões. Trata-se, assim, de desenvolver esse tema a partir da imbricação entre direito, violência e força, tendo por base a filosofia de Nietzsche.


27 de Agosto – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
29 de Agosto – sexta-feira – São Paulo – 19h30

Isabelle Delpla | Violência sem paixão?

Análises filosóficas recentes desvinculam violências políticas e paixões. Ódio, medo, cobiça, ambição, fanatismo… tornaram-se menos pertinentes diante de genocídios perpetrados por Estados totalitários. Trata-se de fenômenos sistêmicos. Mas não só. Daí a importância de distingui-los de fenômenos individuais, que, dadas expectativas, respondem a questões que precedem mobilizações: políticas, militares, culturais etc.


01 de Setembro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
03 de Setembro – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Frédéric Gros | A ética da obediência

Hannah Arendt e Michel Foucault constataram a eficiência dos sistemas totalitários ou dos infernos disciplinares nos séculos 19 e 20. A partir disso, para tratar da violência massiva, é preciso problematizar as formas de obediência. Nesse sentido, elaboraram-se três conceitos: a submissão, o consentimento e a obrigação. É preciso, então, expor como eles se alojam no indivíduo e, assim, como é possível resistir a isso.


02 de Setembro – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
04 de Setembro – quinta-feira – São Paulo – 19h30

Pascal Dibie | Urbanidade, fonte de violência?

Os séculos 19 e 20 estabeleceram-se sobre a violência entre classes sociais, em que a guerra de expressões e slogans foi tão presente que marca até hoje nossa memória. Por enquanto, a cidade em sentido grego tende a globalizar-se por meio das tecnologias da comunicação, nas quais a palavra cria-se e desfaz-se assim que anunciada, a ideia mesma de urbanidade tornando-se anacrônica.


03 de Setembro – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
05 de Setembro – sexta-feira – São Paulo – 19h30

Frédéric Worms | Crise do espírito, guerra e história

Se, depois da Primeira Guerra mundial, intelectuais europeus abordaram o conceito de “crise do espírito”, isso era sinal de que ele representava, então, o principal problema do momento, abalado a partir do interior, esgarçado entre duas épocas. Filhos da crise, isto é, habitantes da nova época, o que ela ensina? Qual é, em cada grande crise histórica e “espiritual”, o papel e o sentido da filosofia? São questões a resolver.


08 de Setembro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
10 de Setembro – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Maria Rita Kehl | Contra a lei do mais forte

O aparente paradoxo da hipótese freudiana a respeito da origem do laço social é que ela tenha sido às custas de um parricídio. O ato violento dos filhos, que se uniram para eliminar o pai tirano – que, pela lei do mais forte, rogava para si todos os privilégios –, talvez tenha custado a culpa dos irmãos. Mas também pode ser considerado um ato de violência legítima, que interrompe a ordem tirânica para instaurar uma Lei universal.

Assista ao video da psicanalista gravado pelo SESC para seu canal no Youtube:


18 de Agosto – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
11 de Setembro – quinta-feira – São Paulo – 19h30

Franklin Leopoldo e Silva | A negação do sujeito

A atual relação entre indivíduo e sociedade levanta a questão da reconstituição do enraizamento social como fundamento ético-político da dignidade. Não – claro esteja – a partir da planificação administrativa regulada pela relação custo/benefício, mas a partir de um reconhecimento do outro que concentre e condense a vida pública autêntica porque correspondente à subjetividade concreta da experiência histórica e social.


10 de Setembro – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
12 de Setembro – sexta-feira – São Paulo – 19h30

Marcelo Coelho | O jogo das paixões

Se, por um lado, a Primeira Guerra Mundial movia-se como uma máquina impessoal que se alimentasse de estratégias e condições militares objetivas, ela não prescindia, por outro, de homens que queriam a guerra, ou seja, de: obediência, medo, disciplina, brutalidade, uniformização… Ou seja, segundo Russel, de uma infinidade de homens que preferia morrer a pensar. Tratava-se, de fato, da crise do pensamento ocidental.


15 de Setembro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
17 de Setembro – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Marcelo Jasmim | Os homens que amam a guerra

Diante do esperado embate cavalheiresco, cujo propósito era estabelecer a superioridade de um dos lados, a Primeira Guerra mundial mostrava-se, desde o início, terrivelmente destrutiva. Potencializada pela técnica, ela desfez todos os limites “civilizatórios”, tais como: os direitos das nações, as prerrogativas dos feridos e dos médicos e a distinção entre civis e militares… Ela inaugurava, enfim, o século das atrocidades inauditas.


16 de Setembro – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
18 de Setembro – quinta-feira – São Paulo – 19h30

Vladimir Safatle | A violência da vida

O desejo de uma vida totalmente pacífica corresponde ao mais brutal equívoco. Assim, a tarefa do pensamento consiste em declinar melhor a gramática da violência. Dadas as forças coercitivas e suas consequências, trata-se de conhecer as formas de violência, no fundo, procuradas, ou seja: as que são produzidas pelas desorganizações das normatividades diante de contingências. Violências fundamentais ao movimento vital.


17 de Setembro – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
19 de Setembro – sexta-feira – São Paulo – 19h30

Francisco Bosco | Violência e cultura do espetáculo

A onipresença social da imagem, enquanto sistema de representação, é uma mediação fundamental nas sociedades contemporâneas, concorrendo para a constituição do eu. Ora, a lógica que orienta a cultura do espetáculo é tal que redobra, no registro imaginário, a desigualdade que vigora na relação entre o Estado brasileiro e os cidadãos, produzindo violência na mesma medida do desequilíbrio do reconhecimento.


22 de Setembro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
24 de Setembro – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Guilherme Wisnik | Mundo, obsolescência programada

A 14a Bienal de Arquitetura de Veneza (2014) propõe um arco de leitura temporal que vai de 1914 a 2014, estimulando a reflexão sobre as transformações e continuidades operadas na construção civil e nas cidades durante o período. Trata-se tanto de uma análise crítica dos resultados obtidos pela bienal, quanto de uma interpretação pessoal desse processo histórico.


23 de Setembro – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
25 de Setembro – quinta-feira – São Paulo – 19h30

David Lapoujade | Fundar a violência: uma mitologia?

A violência circula em toda parte através do campo social, sob as mais variadas formas. Ora direta e explícita; ora indireta, surda, implícita e dissimulada; ora física; ora mental. Nesse sentido, é espantoso constatar como a violência tem necessidade de discurso para legitimar-se, embora ela mesma esteja além de todo discurso, de todo diálogo, e tente reduzi-los a nada. Como explicar isso?


24 de Setembro – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
26 de Setembro – sexta-feira – São Paulo – 19h30

José Miguel Wisnik | Inimigo íntimo

São muitas e funestas as formas da violência. Uma delas é o ódio, prenúncio de outra, que é a cólera. Ora, quem é possuído pela cólera só deseja humilhar e, se possível, destruir o que odeia, e isso dada a seguinte particularidade: odeia-se o que não se conhece; odeia-se, portanto, a coisa ou a pessoa imaginada – irrefletidamente. Há, assim, um inimigo imaginário, que não passa de um pretexto para alimentar a violência.


29 de Setembro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
01 de Outubro – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Gilles Battaillon | Tolerância e ascensão do narcotráfico

Trata-se de observar algumas características sociais dos narcotraficantes: como eles prosperaram, que relações estabeleceram com a população tanto na base da pirâmide social quanto nos meios empresariais, nas elites políticas, nas forças da ordem nacional ou local e, enfim, nas forças armadas. E isso a ponto de sua ascensão social ser considerada legítima. Mais: de ser acompanhada de reconhecimento social.


30 de Setembro – terça-feira – Rio de Janeiro – 19h
02 de Outubro – quinta-feira – São Paulo – 19h30

Luiz Alberto Oliveira | Um mundo sem humanos?

A impessoalidade crescente da ação bélica, propiciada pelas armas eletrônicas – ou, antes, cibernéticas – da atualidade, pode ser entendida como um sintoma de uma desumanização numa escala mais ampla. Trata-se de vislumbrar na atividade de um sem-número de dispositivos cognitivos-conceituais uma despersonalização, uma indiferença, frente ao contingente concreto, e cada vez mais maciço, das populações.


01 de Outubro – quarta-feira – Rio de Janeiro – 19h
03 de Outubro – sexta-feira – São Paulo – 19h30

Eugênio Bucci | A forma bruta dos protestos

Os protestos de rua derramam sobre as ranhuras da cidade mensagens articuladas por signos. É como linguagem que as manifestações escorrem nas praças e avenidas. Assim, a estética das manifestações não passa só por rituais de batalha. Ela se manifesta na linguagem dos cartazes, da indumentária, do gestual, dos olhares voltados para a TV. Isso se observou especialmente nas manifestações de rua de 2013/14.


06 de Outubro – segunda-feira – Rio de Janeiro – 19h
08 de Outubro – quarta-feira – São Paulo – 19h30

Jean-Pierre Dupuy | A violência e o sagrado

A imitação é o cimento social por excelência. É por imitação que a criança pequena aprende as regras e os símbolos de sua sociedade, a começar pela linguagem. Com a violência, não é diferente. Não, pelo menos, para o filósofo René Girard, segundo o qual a origem do sagrado está na violência, e a origem da violência está no desejo. Dado o tema aqui, é essa primeira fundação que merece especial atenção.

Serviço
São Paulo
Sesc Vila Mariana

Abertura: Teatro; demais palestras: Sala Corpo & Artes
Rua Pelotas, 141 – São Paulo – SP (Próximo ao Metrô Ana Rosa).

Inscrições Já disponíveis, (enquanto houver vagas), pelo site www.sescsp.org.br ou pessoalmente nas Centrais de Atendimento das unidades do Sesc SP.
Informações: De terça a sábado, das 10h às 19h, pelo telefone (11) 5080-3142 ou e-mail: mutacoes@vilamariana.sescsp.org.br

Taxas de Inscrição por conferência:*

R$ 20,00 [inteira]
R$ 10,00 [usuário inscrito no Sesc e dependentes, +60 anos, estudantes, aposentados e servidores da rede pública]
R$ 4,00 [trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes]

*Deve ser feita uma inscrição por palestra.

Rio de Janeiro 
Fundação Biblioteca Nacional
Espaço Cultural Eliseu Visconti – Auditório Machado de Assis
Rua México, s/nº (Acesso pelo jardim, esquina com Pedro Lessa)

Inscrições a partir de 30 de Julho (enquanto houver vagas) na Aliança Francesa (Av. Presidente Antonio Carlos, 58 / 3° andar) / Segunda a Sexta, das 12h às 16h, pelo telefone (21) 9.9973.8085 – ou pelo site: www.mutacoes.com.br

R$30,00 (inteira)
R$ 15,00 (meia-entrada) – o ciclo inteiro

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