Últimos dias: Mostra “Multitude” reflete a tensão social

Em cartaz no Sesc Pompeia até o dia 10 de agosto, a Mostra Multitude: quando a arte se soma à multidão reúne artistas e pensadores nacionais e internacionais em um projeto que contempla espetáculos, encontros, workshops, performances e exposição que vem ocorrendo ao longo de quase três meses.

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Multitude é um acontecimento de arte contemporânea, tendo como ponto de confluência o embate com o termo multidão desenvolvido por Antonio Negri e Michael Hardt desde a publicação de “O Império“ (2000) e que se desdobra em uma série de livros e discussões que renovam o entendimento dos movimentos sociais na atualidade.

Montada na área de convivência do Pompeia, a exposição de arte é o centro do projeto traz 20 obras em vários suportes e meios. Vídeos, filmes, fotografias, instalações, pinturas, performances e sistemas interativos que se referem direta ou indiretamente à multidão em várias localidades do mundo, mostram questões em comum, como apontam distinções culturais e singularidades que resistem a um mundo globalizado.

Tin Soldiers, 2010/2011 | Ala Younis, Jordânia.  Instalação com 2500 figuras de metal pintadas à mão.

Tin Soldiers, 2010/2011 | Ala Younis, Jordânia. Instalação com 2500 figuras de metal pintadas à mão.

 

Estratégias de segurança 2014 | Rodrigo Moreira, Brasil. Cartazes lambe-lambe

Estratégias de segurança 2014 | Rodrigo Moreira, Brasil. Cartazes lambe-lambe

Sérgio Silva, fotógrafo que perdeu um olho ao cobrir as manifestações no ano passado em São Paulo, participa da Mostra com a obra Piratas Urbanos – contra a repressão (2013-2014). No vídeo abaixo, o artista se encontra com Alex Silveira, outro fotógrafo que também perdeu parte da visão vítima da violência cometida pela polícia militar:

O projeto enfatiza o conceito negriano de multidão, abordando formas de resistência ao poder instituído por parte dos mais diversos tipos de minorias – sociais, sexuais, raciais. Pensar a multidão é pensar a produção do comum, observando o comum como um conjunto de singularidades, identidades únicas que se afetam mutuamente, em um processo que reúne potências, mas também dissensos.

A multidão está engajada na produção de diferenças, invenções e modos de vida. Deve, assim, ocasionar uma explosão de singularidades. Essas singularidades são conectadas e coordenadas de acordo com um processo constitutivo sempre reiterado e aberto. Seria um contra-senso exigir que a multidão se torne a “sociedade civil”. Mas seria igualmente ridículo exigir que forme um partido ou qualquer estrutura fixa de organização. A multidão é a forma ininterrupta de relação aberta que as singularidades põem em movimento.

Trecho extraído das questões de Nicholas Brown e Imre Szeman a Michael Hardt e Antonio Negri.

Serviço

Multitude: quando a arte se soma à multidão
Sesc Pompeia
R. Clélia, 93 – Vila Pompeia, São Paulo
De 30 de maio a 10 de agosto
Terça à sábado das 10h às 21h
Domingos e feriados das 10h às 19h
Grátis

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