Espetáculo que resgata o lendário Nijinsky estreia em São Paulo

Entre os dias 28 de agosto e 21 de setembro, o Sesc Belenzinho apresenta o espetáculo Nijinsky – Minha Loucura é o Amor da Humanidade, escrito por Gabriela Mellão, que divide a direção com João Paulo Lorenzon, protagonista da montagem (indicado ao prêmio Shell de melhor ator 2012). Lorenzon contracena com Michelle Boesche (indicada ao prêmio Shell 2013), Francisco Bretas (indicado ao Shell em 2000), Nabia Vilela e Janaína Afhonso. Quem assina a trilha sonora é Raul Teixeira. O desenho de luz é de Fábio Retti. Reinaldo Soares assume a preparação de dança e Renato Marino o treinamento em cama elástica.

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nij1A montagem resgata poeticamente a figura histórica do lendário Vaslav Nijinsky (1890–1950), considerado o Deus da dança moderna, que personifica a essência do artista em sua fé e obstinação inabaláveis na arte. A encenação se propõe a retratar simbólica e oniricamente os voos e as quedas de Nijinsky. Transforma parte do palco numa imensa cama elástica buscando explorar as possibilidades imagéticas geradas a partir deste chão inusitado que evoca o universo mental e corpóreo do protagonista. Nela, Nijinsky (Lorenzon) dançará a três metros do chão, uma coreografia que não deseja alcançar a representação do ballet, mas as glórias e ruínas do dançarino.

Vaslav Nijinsky foi um dos maiores dançarinos e coreógrafos de todos os tempos. Surpreendeu o mundo com sua criatividade e ousadia. Rejeitou as regras do ballet clássico e da sociedade do início do século 20 para dançar o instinto, no palco e na vida. Colocou demência em evidência. Transformou enfermidade em beleza, antecipando preceitos da arte contemporânea. Sua mente atordoada foi estigmatizada como louca por não se enquadrar aos padrões sociais de sua época. Hoje é símbolo de genialidade.

nij2O espetáculo expõe a mente original e atordoada deste homem que foi estigmatizado como louco por não se enquadrar aos padrões sociais de sua época e hoje é exemplo de genialidade, como Van Gogh, Artaud, Beethoven e Nietzsche.

As ascendências e quedas do bailarino são representadas em cenas de intensidade física que se servem de estados limites do corpo para alterar voz e atuação. Nijinsky é manipulado, amarrado, asfixiado, esticado e elevado durante o espetáculo, em atos que rompem a linguagem prosaica, através de um acabamento estético que persegue o simbólico.

A montagem adentra o universo interior de Nijinsky, o qual contracena com fantasmas que sobrevoam seu imaginário. Imerso em si, Nijinsky inicia o espetáculo ocupando um balanço a três metros de altura. Seus interlocutores permanecem em solo, distantes de seu mundo. Seu empresário/amante (Diaghlev), sua mulher (Romola), mãe (Eleonora) e irmã (Nijinska) são memórias materializadas que o violentam ao mesmo tempo em que o acolhem.

Os personagens que regem a mente de Nijinsky são figuras que interferiram na vida do bailarino. Entretanto, na montagem eles ganham novas camadas. No espetáculo podem ser vistos também como figuras arquetípicas presentes no imaginário de todo homem – tais como a maternal que nutre e abandona, a paterna que impulsiona e oprime, ou a amante que enaltece e aprisiona.

Serviço:

Nijinsky – Minha Loucura é o Amor da Humanidade
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000, tel. 2076-9700
De 28 de agosto a 21 de setembro
Quinta a sábado, às 21h30; domingo, às 18h30
R$ 25 (inteira), R$ 12,50 (meia) e R$ 5 (comerciário)
80 minutos.

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