Espetáculo do dramaturgo Ariel Farace segue temporada na capital

Quando foi assistente de direção do dramaturgo e diretor Ariel Farace, em 2012 – na montagem brasileira do espetáculo “Luísa se choca contra sua casa” – o diretor Wallyson Mota recebeu das mãos do portenho um texto que ele havia escrito há alguns anos e que explorava o caráter fragmentário e lírico de sua dramaturgia. Tratava-se de Sem Título, que faz segunda temporada em São Paulo até o dia 10 de novembro, no Espaço Elevador.

Montado pela primeira vez no Brasil, Sem Título é mais uma obra de Farace, portenho de 32 anos que tem uma carreira tão fértil quanto multifacetada: sua vida se divide entre direção teatral, dramaturgia, encenação e atuação. Escrita entre os anos de 2004 e 2005, a peça estreou na Argentina em setembro de 2005, com grande sucesso de público e crítica. Assim como em “Luísa se choca contra sua casa”, o espetáculo fala sobre a solidão, marca constante em seus trabalhos.

A peça fica em cartaz até 10 de novembro (Divulgação)

A peça fica em cartaz até 10 de novembro (Divulgação)

(Divulgação)

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Mas as semelhanças param por aí. Enquanto “Luísa..” era mais poética e sintética, Sem Título se apropria da fragmentação e da linguagem cinematográfica. Trata-se de uma obra mais escura, urbana, que narra um grande castigo: a desolação de reconhecer-se apenas como um corpo entre tantos outros, de saber-se uma existência finita e frágil, incompreensível. “A morte e o amor são inevitáveis, sim; mas assim também é a arte. As coisas têm um tempo de vida e um tempo de morte. Tudo é passageiro. O resto é apenas a indiferença da natureza”, explica Farace.

Na peça, as trajetórias de três pessoas – Ana, Laura e Ulisses – se cruzam e a partir daí abrem-se novos olhares. Fala da solidão e ao mesmo tempo da possibilidade do encontro, da colisão. A partir daí, Mota desenvolveu o trabalho com os atores no olhar calado deles sobre as ações de suas personagens, sobre como se relacionavam com elas e como poderiam fazer com que suas questões fossem povoadas de maneira delicada e sutil.

Desta forma, as casas de Ana, Ulisses e Laura são representadas em cena, acompanhando-os e testemunhando seus momentos de esperança, dor e melancolia. Três placas de acrílico – cada uma referente a um personagem – grafadas com as plantas baixas do universo de intimidade de cada um deles compõem o cenário. Um mapa do sistema em que cada um vive, que transita em rotações pela órbita de seus habitantes. Mais uma materialização para uma metáfora tão contundente no texto: a de que os homens vivem num eterno sistema de alinhamento e desalinhamento entre si, assim como os planetas e as estrelas dos sistemas do Universo. Ora se encontram, ora se desencontram, realizando uma dança errante pelo espaço, abertos ao acaso e às possibilidades de colisão – o encontro físico com o outro.

 

Serviço:

Sem Título
Espaço Elevador
Rua Treze de Maio, 222 – Bixiga
Até 10 de novembro
Segundas, às 20h30
R$ 30 (inteira), R$ 15 (inteira) e R$ 10 (moradores do Bixiga)
60 minutos.

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