Exposição faz reflexão sobre embate entre natureza e civilização

Nesta terça-feira (dia 18),Galeria Nara Roesler inaugura a exposição Fordlândia, de Melanie Smith, uma pesquisa da artista sobre o projeto megalômano de Henry Ford de fazer um grande polo produtor de látex para a confecção de pneus em plena Floresta Amazônica, às margens do Rio Tapajós. O projeto se desenvolveu durante a década de 30, mas as novas tecnologias que surgiram na época fizeram tudo ruir e Ford teve um prejuízo de mais de 20 milhões de dólares.

A artista, que é britânica, mas reside atualmente no México, provoca uma reflexão sobre o embate entre a natureza e a civilização. Na exposição, que segue até 1º de fevereiro, serão exibidos um vídeo e pinturas de sua produção atual. Fordlândia, o vídeo, é homônimo à região de mais de 14 mil metros que Henry Ford (1863-1947), industrial americano do ramo automobilístico, comprou nos anos 20, no Estado do Pará. Hoje correspondente ao município de Aveiro, a região era então uma cidade destinada a crescer com a exploração da borracha para fazer os pneus dos carros da Ford, como alternativa ao látex explorado na Malásia.

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Com o choque cultural entre os trabalhadores nativos e os executivos americanos, a condição de infertilidade do solo e a inexperiência estrangeira no plantio das seringueiras, o empreendimento foi um total desastre. Com isso, a região, que deveria tornar-se uma cidade próspera, foi abandonada, deixando em seu rastro as ruínas das construções que, aos poucos foram invadidas pela vegetação densa.

Em sua pesquisa pictórica cuja base é o uso da cor, Melanie Smith se apropria de uma gama de verdes em que a floresta surge como massa espessa e soberana, sem a ideia conciliatória que norteia o pensamento ecológico atual. Nas pinturas, a floresta não se dobra ao capricho humano, é antes um enorme organismo vivo.

O vídeo faz o contraponto do verde com elementos como caminhões, concreto envelhecido e estradas cortadas em meio à floresta, que antes de se submeter ao impulso civilizatório do homem, impõe-se em sua potência de resistência e reintegração. Estar na floresta é desistir do impulso totalitário da cultura na constante luta pela adaptação entre as características naturais e urbanas.

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Serviço:

Fordlândia, de Melanie Smith
Galeria Nara Roesler
Avenida Europa, 655, Jardim Europa, tl. 3063-2344
De 18 de novembro a 1 de fevereiro
De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h
Grátis.

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