Com estética surrealista, peça expõe relação entre Dora Maar e Pablo Picasso

Situado em Paris, o espetáculo Chuva Seca discute as relações humanas a partir das obras fotográficas, artes plásticas e do relacionamento entre Dora Maar e Pablo Picasso. Na peça, a intensidade da vida cotidiana e a relação entre musa inspiradora e artista são os eixos para discutir a posição da mulher na sociedade. Dirigido por Eduardo Chagas, a montagem está em cartaz até dia 28 de maio, quintas-feiras às 21h, no Teatro do Satyros 1, na Praça Roosevelt.

Em cena, a atriz Fernanda Roman vive Dora e relembra passagens de sua vida, como a infância e a adolescência longe de Paris, o retorno e aprendizado com Man Ray e suas criações artísticas. A encenação e o texto criam um paralelo entre a visão da atriz sobre as mulheres contemporâneas e a trajetória de vida de Dora ao lado do pintor.

dora

O solo utiliza dança, teatro, artes plásticas e performance para pensar as relações humanas de hoje. Em um relacionamento, independente de qual seja, qual o limite de admiração e prisão? Quando o senso de individualidade se perde?

Dois livros deram a base para o projeto. O primeiro livro, Dora Maar, Prisioneira do Olhar, de Alicia Dujovne Ortiz, fortalece a pesquisa a respeito da vida da fotógrafa surrealista. O segundo, Picasso e Dora – A História da Paixão Conturbada do Maior Pintor do nosso Século, de James Lord, conta – do ponto de vista de alguém próximo – a história da relação amorosa entre os dois.

Por meio de estudo da biografia de ambos, do período histórico, e de relatos pessoais da atriz/autora, criou-se textos em que Dora e a atriz se confundem, trazendo um panorama das relações afetivas a partir da visão da mulher. Eduardo Chagas criou as diretrizes sobre as relações que ocorreram na vida da musa inspiradora e como isso se relaciona com a vida da atriz e de tantas outras mulheres. Natalia Najjar, preparadora corporal, trouxe a sua experiência em dança e yoga para serem aplicadas na cena.

Toda partitura corporal criada pela atriz – em conjunto com Natalia – parte das mãos. Dora era conhecida por sempre usar anéis e pintar as unhas semanalmente de vermelho. Nas pinturas que Picasso fez de Dora, é possível notar a importância que as mãos tinham para a artista.

No cenário, dois principais objetos chamam atenção: uma penteadeira e uma cadeira. A primeira, recheada com as obras de Dora, representa a vida da fotógrafa e pintora. As fotos, os objetos pessoas, as lembranças. Do outro lado do palco, uma cadeira, uma gaiola e uma roda de bicicleta formam a obra que retrata Picasso.

A iluminação do espetáculo usa muito das sombras, com uma penumbra que envolve todo palco e alguns poucos focos que destacam a atriz e os objetos do cenário em cena. Também são usados projetores com filmes com estética surrealista, criados especialmente para o espetáculo.

 

Serviço:

Chuva Seca
Teatro do Satyros 1
Praça Franklin Roosevelt, 222 – Consolacão
Quintas, às 21h
Até 28 de maio
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
50 minutos.

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