Galeria Leme inaugura exposições de Paulo Climachauska e Vivian Caccuri

Entre os dias 7 de maio e 13 de junho, a Galeria Leme apresenta as exposições individuais de Paulo Climachauska e Vivian Caccuri. Em Ronda Norturna, de Climachauska, as obras são profundamente enraizadas em seu fascínio pelas inter-relações entre economia, sociedade e arte, examinando a ideia de arte como um elemento socioeconômico e sua associação à abstração do capital e derivativos financeiros.

O artista aborda este assunto sempre com um ‘duplo-sentido’, utilizando e subvertendo ícones saturados pelo imaginário coletivo como alavancas de questionamento de formas já estabelecidas de interpretação. Seja redesenhando o mundo através da ação sistemática e repetitiva de subtrações de operações matemáticas, ou usando figuras conhecidas dos ambientes de jogo e especulação, o artista transita livremente pelos campos da economia, sociologia e história.

Obra de Paulo Climachauska

Obra de Paulo Climachauska

De fato, a evolução das obras de Climachauska pode ser amplamente atribuída à maneira como ele repensa, reconsidera e desconstrói princípios profundamente arraigados a um aparato ideológico que visa desacreditar discursos que contestem o status quo. O título da exposição e da série de trabalhos homônima, usa o nome de uma das mais famosas obras mestras do pintor holandês Rembrandt, pintada entre 1640 e 1642, cujo título em neerlandês, De Nachtwacht, é traduzido para o inglês como Night Watch.

Obra de Vivian Caccuri

Obra de Vivian Caccuri

Nesta tela de dimensões monumentais podemos ver uma milícia de Amsterdã que se prepara para fazer uma ronda de vigilância pela cidade. Partindo desta cena icônica e usando materiais como vidros blindados e espelhos cobertos com películas de escurecimento que inibe a visão para o interior de carros e espaços, Paulo Climachauska compõe uma exposição que problematiza a paranoia de segurança, vigilância e dispositivos de controle contemporâneos. Apontando simultaneamente para a grande cisão entre os espaços públicos e privados na sociedade brasileira em decorrência do seu grande apartheid econômico.

Sob o título de Condomínio, a artista Vivian Caccuri, que há três anos organiza mensalmente a performance “Caminhada Silenciosa” – uma expedição urbana organizada para que 20 pessoas permaneçam por oito horas em voto de silêncio enquanto derivam por diferentes lugares da cidade – apresenta esculturas, instalações e desenhos.

Em Condomínio, ela mostra quatro diferentes séries de trabalhos inéditos, fazendo uso da tecnologia, como nas séries “Adeus” e “Bias” para refletir sobre a permeabilidade – muitas vezes cerceada – entre espaço público e espaço privado. A escultura “Adeus”, um minisoundsystem do começo dos anos 2000, foi modificado em parceria com engenheiros para que sintonizasse diversas rádios simultaneamente e reagisse à circulação dos visitantes no espaço expositivo. Em “Bias”, Vivian coletou centenas de retratos de transeuntes no centro do Rio de Janeiro para subverter uma das primeiras tecnologias de reconhecimento facial, chamada “Eigenface”.

Obra de Paulo Climachauska

Obra de Paulo Climachauska

Este sistema, que cria uma espécie de “impressão digital” a partir de diferentes fotografias do rosto de uma pessoa, foi usado para compor uma mancha fantasmagórica das cem pessoas fotografadas na rua. A partir da imagem digital, a artista produziu desenhos em carvão sob papel. A série “Pagode” é uma espécie de tapeçaria às avessas, onde membranas protetoras de obras da construção civil, como telas de sinalização e cobertura de fachadas, são desfiadas e transformadas em grandes desenhos geométricos. Suas pontas são soltas e sustentam cacos de vidro ou barras de alumínio, o que lhe dá movimento e som quando movimentadas pelo observador.

Outra obra que pode ser manipulada na exposição é a série “My Mistake”, composta a partir de chaves descartadas por chaveiros da região central de São Paulo por erros na gravação do segredo ou por não abrirem as novas fechaduras. As chaves são penduradas diretamente nas paredes de concreto formando desenhos baseados em gráficos de pesquisas econômicas e de opinião. As chaves, quando tocadas pelo público, produzem um som agudo e brilhante no espaço da galeria.

Os materiais, formas, lugares e dinâmicas de “Condomínio” fazem parte da pesquisa do trabalho “Caminhada Silenciosa”. Enquanto a artista pesquisa os locais para a deriva em silêncio, encontra pessoas, objetos e situações que tornam-se cumulativamente elementos para projetos como os dessa exposição. Assim, como já acontece com as caminhadas, “Condomínio” reorienta a presença física do visitante, refletindo sobre o papel da intimidade e da integração das diferenças (ou a exclusão das duas) na constituição do espaço público: estaria o mundo material brasileiro sob um processo de condominização?

 

Serviço:

Exposições de Paulo Climachauska e Vivian Caccuri
Galeria Leme
Av. Valdemar Ferreira, 130
7 de maio e 13 de junho
De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, 10h às 17h
Grátis.

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