São Paulo recebe apresentação de espetáculo nas ruas da cidade

Foto: Divulgação

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Inspirado em As Três Irmãs de Tchekhov, o espetáculo itinerante Antídoto para Impossibilidades e Paralisias, criado em colaboração entre a Companhia Temporária de Investigação Cênica e o CAI – Coletivo Autônomo de Intervenções, composto por jovens artistas formados pela Escola Superior de Artes Célia Helena e pelo Teatro-Escola Célia Helena. As apresentações acontecem até o dia 31 de julho na Liberdade. O ponto de encontro é na Rua Galvão Bueno.

Em As Três Irmãs, Tchekhov retrata as transformações que marcaram a Rússia na transição do século dezenove para o vinte. A aristocracia decadente, não se reconhecendo mais no tempo que habita, paralisa-se diante do futuro e encontra no apego às lembranças do passado os únicos vestígios de sentido e identidade.

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Além dessa inspiração de Tchekhov, a peça, uma ficção científica, é baseada em fatos reais e dados subjetivos. A história se passa em 2067, um grupo de cientistas é convocado pelo governo para pesquisar um estranho surto epidêmico que se espalha entre os jovens habitantes de uma cidade. Melancolia extrema, fixação pelo passado, incapacidade de agir de acordo com os próprios desejos, amnésia profunda, falas confusas e histéricas, rompantes violentos, estão entre os sintomas das síndromes que se alastram em uma velocidade preocupante.

A equipe científica já realizou diversos testes laboratoriais e agora precisa aprofundar o estudo, realizando pesquisas de campo nas ruas da cidade. Convocam, então, mais pesquisadores para colaborar nessa nova etapa do estudo, ganhando a rua e analisando as interações das cobaias com a dura e áspera realidade urbana daquele local. O público é convidado a integrar essa equipe ficcional de médicos e a acompanhá-los na pesquisa de campo, munidos de um “aparelho futurista de GPS”. A construção de uma camada fictícia pretende escancarar a realidade gritante da cidade de São Paulo e propor o exercício de imaginar uma outra possibilidade de habitar a cidade.

Segundo Joana Dória, diretora do espetáculo, “O CAI – Coletivo Autônomo de Intervenções começou a se questionar sobre a cidade que queremos, o quão distantes estamos dela e o que de fato fazemos para construí-la. Nós paramos para pensar em quantos japoneses, italianos, coreanos, holandeses, alemães, bolivianos, judeus, baianos, paraenses, cearenses, maranhenses, goianos, capixabas, mineiros, gaúchos etc. já não vieram para a capital paulista em busca de oportunidades e da promessa de uma vida melhor e nos perguntamos: São Paulo é essa vida melhor? Então, nós escolhemos o bairro da Liberdade para a criação de um espetáculo/intervenção urbana, por ser um bairro multicultural, central, fervilhante e com um nome para lá de convidativo”.

O espetáculo possui uma dramaturgia própria, assinada por Sofia Boito e desenvolvida em processo colaborativo junto aos atores, que dialoga com a peça russa, com a história do bairro da Liberdade e também com as questões trazidas pelas manifestações de junho de 2013, que vieram com tudo no meio do processo de criação de Antídoto para impossibilidades e paralisias.

A proposta é que o espetáculo permita uma experiência cênica porosa que possa, mesmo que um pouquinho, transformar as relações dos espectadores com espaços da cidade.

Serviço:

Antídoto para Impossibidades e Paralisias

Rua Galvão Bueno 364 (fundos) – Liberdade

De Até 31 de julho

Quartas, Quintas e Sexta às 16h30

R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Recomendado para maiores de 12 anos

120 minutos.

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