Grupo Tablado de Arruar apresenta segunda parte de trilogia

Segunda parte da Trilogia Abnegação, que teve inicio em 2014 e tem previsão de ser concluída até 2016, o espetáculo Abnegação II – O Começo do Fim, mais do que uma continuação de Abnegação, busca um aprofundamento das questões ali exploradas. A nova montagem do Grupo Tablado de Arruar trata das transformações que um partido político sofre para chegar pela primeira vez ao poder nacional.  A montagem fica em cartaz até o dia 10 de setembro, no Armazém Cultural.

Com texto de Alexandre Dal Farra, que divide a direção com Clayton Mariano, o espetáculo traz no elenco os atores André Capuano, Alexandra Tavares, Ligia Oliveira, Vinicius Meloni e Vitor Vieira. A partir da construção de dois planos ficcionais que se tensionam mutuamente, a peça expõe com violência a trajetória contraditória de um partido de esquerda que, em um momento de ampliação de seu alcance, ao mesmo tempo em que galga novas posições ampliando o seu horizonte político, cede mais e mais à dinâmica criminosa e cínica que organiza e estrutura o poder no capitalismo em geral, e de forma ainda mais clara na sua versão marginal e periférica.

Abnegação II – O Começo do Fim se passa 15 anos antes de Abnegação I. No espetáculo, o público acompanhará a história de Jorge, que, negando-se a fazer parte de uma lógica política que ele mesmo ajudou a instaurar, torna-se um empecilho à sua própria ascensão, e é devidamente eliminado. Tal história, na peça, é intercalada por cenas estáticas, contemplativas, que como que visam, ou pressionam a trama. Essa segunda camada da peça aparece como uma ameaça constante, desagregadora, constituindo uma espécie de camada ao mesmo tempo real e imaginária, que dá sustentação à história central, e aos poucos se funde a ela.

Foto: Jennifer Glass/Divulgação

Foto: Jennifer Glass/Divulgação

Quem tiver mais de trinta anos e assistir à peça provavelmente vai se lembrar – ainda que seja uma suspeita – do caso do assassinado do ex-prefeito da cidade de Santo André, Celso Daniel, assim como do caso semelhante, relacionado ao ex-prefeito Toninho, de Campinas. Os diretores Clayton Mariano e Alexandre Dal Farra não negam que o caso seja um dos materiais da pesquisa que originou a montagem (caso este que ainda está em aberto pelo Ministério Público, há mais de doze anos depois do acontecido).

No entanto, fazem questão de afirmar que não se trata de uma peça sobre o caso. “A história ali apresentada é inteiramente ficcional. Tudo ali é imaginado. Usamos o caso sem nenhuma pretensão documental. Nunca tratamos o assunto com intenção de investigar a verdade dos fatos. O caso Celso Daniel foi uma referência para nós, assim como o caso do Toninho e outros tantos casos polêmicos da história recente brasileira. O foco da pesquisa não são os casos específicos, mas sim, os momentos em que a grande política nacional se aproxima do mundo do crime, da violência pura e simples, a ponto de se fundir a ela”, explica Dal Farra.

 

Servico:

Abnegacao II – O Comeco do Fim
Armazen Cultural
Rua dos Cariris, 48 – Pinheiros
Quartas e quintas, às 21h
Até 10 de setembro
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Recomendado para maiores de 16 anos
120 minutos.

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