Balé de Genebra traz luxo e glória em turnê brasileira

Não é trocadilho. O Ballet du Grand Théâtre de Genève (BGTG) desembarca pela terceira vez no Brasil com duas peças que traduzem coreograficamente o luxo e a glória, com apresentações somente no sábado (12) e domingo (13), dentro da Temporada de Dança do Teatro Alfa, seguindo também para Paulínia e Rio.

"Lux" é assinado por Ken Ossola. Foto: GTG / Vincent Lepresle

“Lux” é assinado por Ken Ossola. Foto: GTG / Vincent Lepresle (Divulgação)

“As duas peças falam da mesma coisa, embora os dois coreógrafos usem linguagens diferentes para expressá-la”, resume Phillippe Cohen diretamente de Genebra ao Gira SP. Para o diretor do BGTG essa “mesma coisa” é o desejo de alcançar o absoluto, que é ao mesmo tempo poético, místico, humano e profundo.

Cohen destaca que o suíço Ken Ossola se vale da leveza e da simplicidade para falar de luxo em Lux. Já o grego Andonis Foniadakis, percebe a glória através do virtuosismo e da excessividade em Glory.

Ossola falou sobre sua peça tão logo chegou ao Canadá. Ele, que é assistente de Jirí Kylián, vai remontar uma obra do coreógrafo tcheco com Les Grands Ballets Canadiens de Montreal. Companhia com a qual também vai comandar um novo projeto chamado La Lueur de l’Aube inspirado em músicas de Rachmaninov com estreia prevista para março de 2016.

Ele conta que foi um “inusitado réquiem” do compositor francês Fauré que deu início ao processo criativo, já que a trilha era um desejo em comum com Cohen. “É quase angelical. Quando ouvi tive uma sensação de paz como se fosse uma mórbida canção de ninar”.

Em Lux, Ossola explora cenicamente com um elenco de 20 bailarinos a sensação de estar em levitação e de poder sentir o céu no próprio corpo.

De Paris, Foniadakis falou sobre sua peça Glory, definida por ele como um tributo ao alemão Händel, cuja composição barroca permitiu encontrar delicadeza e refinamento. “Para mim, a glória não tem nada a ver com extravagância”, alerta o coreógrafo. “Tive a oportunidade de falar do tema com outra abordagem, onde cada gesto pode ser glorioso”.

Safra nova
Depois de mostrar a peça da coreógrafa paulistana Cassi Abranches criada para o Grupo Corpo, a vinda do balé genebrês evidencia o eixo temático proposto pelo consultor de programação internacional João Carlos Couto, que está fazendo da Temporada de Dança deste ano uma vitrine para a nova safra de coreógrafos, trazendo na sequência espetáculos do espanhol Cayetano Soto e do sueco Alexander Ekman com o Balé da Cidade de São Paulo (BCSP).

Andonis Foniadakis busca nova abordagem em "Glory". Foto: Gregory Batardon

Andonis Foniadakis busca nova abordagem em “Glory”. Foto: Gregory Batardon (Divulgação)

“O BGTG é uma grande companhia, com belo histórico, excelentes bailarinos e forte apoio do governo suíço para manutenção e promoção no exterior. Embora sejam fatores relevantes, não bastam para fazer a reputação de uma companhia”, defende Couto, elogiando o empenho de Cohen em criar novos horizontes e desafios convidando os “novos” coreógrafos.

Foniadakis, quando perguntado sobre fazer parte deste grupo de criadores emergentes, não hesita ao dizer que escolhe um caminho particular conectado ao presente. “Percebo que meus colegas desta geração trabalham perspectivas diferentes. Preparamos ‘novos’ próprios caminhos”, diz acreditando que não é possível “copiar” os grandes mestres, como Maurice Béjart, do qual foi bailarino.

Nascido na ilha de Creta, Foniadakis teve seus primeiros contatos com a dança brasileira a partir do Grupo Corpo – o qual considera cheio de energia – e também com o trabalho de Deborah Colker. O coreógrafo grego não é exatamente uma novidade para o público no Brasil.

Em 2007, ele coreografou para a Cia. Sociedade Masculina e, em 2011, para o BCSP. “Foram duas experiências bem diferentes”, confessa, relembrando que os bailarinos brasileiros foram generosos, dispostos e muito dedicados ao trabalho. “Cheios de paixão e imaginação”, complementa.

Ossola ainda não teve a oportunidade de “observar e experimentar” a cena brasileira. Mas, ele é muito grato a sua ex-professora de balé, a gaúcha Beatriz Consuelo, falecida em 2013. “Com ela, recebi o calor e a paixão que vêm do Brasil. Ela também me deu a chance de dançar no Nederlands Dans Theater”, revela.

Em uma turnê que passa por São Paulo, Paulínia e Rio de Janeiro, o diretor artístico do BGTG carrega a expectativa de surpreender plateias. “Esperamos compartilhar com o público uma forte cumplicidade repleta de confiança e generosidade”, deseja Cohen.

“Lux” e “Glory”
Ballet du Grand Théâtre de Genève

São Paulo
12 e 13 de setembro
Sábado, 20h; domingo, 18h
Teatro Alfa
R$ 50 a R$ 170

Paulínia
16 de setembro
Quarta, 20h
Theatro Municipal de Paulínia
R$ 30 a R$ 60

Rio de Janeiro
19 e 20 de setembro
Sábado, 20h; domingo, 17h
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
R$ 110 a R$ 180

Veja também!...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>