CRDSP recebe solo de dança de Bárbara Freitas criado após residência artística com Germaine Acogny no Senegal

Ela está de volta ao epicentro cultural da Pauliceia: o Centrão. Desta vez, é o Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo que recebe o solo de Bárbara Freitas. A partir das danças populares, Ethos lança um olhar sobre a arquitetura e a urbanidade.

Foto: Francisco Reyes (Divulgação)

Foto: Francisco Reyes (Divulgação)

Depois de participar de uma residência artística na renomada Escola de Areia (em francês, Ecole des Sables), entre julho e agosto de 2015, Bárbara recolheu referências acumuladas ao longo de sua trajetória, como o maracatu e o cavalo marinho, para compor sua dança. Agora, potencializada pela experiência na África.

“Tive a oportunidade de conhecer diferentes pesquisas de bailarinos de várias localidades do mundo”, revela Bárbara, que se juntou a artistas da França, Espanha, Guadalupe, Cuba, Benin, Costa do Marfim, Filipinas, entre outros países, durante o período passado na cidade senegalesa de Toubab Dialaw.

Para ela, a força do discurso e da prática de Germany Acogny – que fundou em 1998 a Escola de Areia com seu marido Helmut Vogt – tem um poder de ressoar a energia da dança como um alimento para a vida e vice-versa. “O envolvimento e a manutenção dessa energia mantêm e intensifica uma confiança e um tônus que é capaz de sustentar e suportar a realidade do mundo em sua totalidade”, define a brasileira.

Não é para menos. Apontado como um símbolo de resistência frente a forças políticas (e culturais), a Escola de Areia na sua própria estrutura e metodologia é uma revolucionária. O principal dos seus dois estúdios é uma área de 400m² com chão coberto de areia. Daí, a origem de seu nome. Os alunos residentes ficam em chalés oferecidos pela própria Escola. E experimentam a técnica de Germaine, que é um verdadeiro diálogo entre danças tradicionais africanas e influências do mundo europeu ocidental.

Na troca, Bárbara sentiu, pelos comentários sobre o Brasil, uma certa curiosidade pelo futebol e pela política. Mas, sobre a produção em dança quase nada se ouviu. Ela acredita que novas pontes precisam ser construídas, em especial, por meio de residências artísticas e pela internet. “Ainda funcionamos em guetos e a expectativa de ver o samba e a capoeira existe. Somos frutos da Diáspora Africana, mas com muitas singularidades importantes de serem partilhadas e semelhanças em gesto e ação, mas vasta em sentidos”.

Após esta profunda experiência transformadora, Bárbara se lançou na preparação de Ethos – palavra grega usada para descrever conjuntos de hábitos ou crenças pertencentes a uma comunidade. O trabalho estreado no ano passado já foi apresentado na Funarte e na Praça do Patriarca, em São Paulo; em São Bernardo do Campo; e em Salvador.

A trilha sonora, criada por Olivier Kaminski, traz sons da cidade. “A pesquisa foi ampla. Tentamos compreender a sonoridade dos fluxos de pessoas, da arquitetura e das rotinas”, explica Bárbara, que também pontua a encenação tocando cuíca.

O caboclo de lança, personagem do carnaval pernambucano, é outra referência que surge. Uma vez que Bárbara surge com um cravo branco entre os lábios como sinal de conexão e de permissão para se integrar aos demais presentes. O que ela vê nestas matrizes das danças brasileiras? “Um corpo pronto para a poética do cotidiano, entre engajamento, resistência e transgressões diárias – assim como está pronto para a batalha ou para a brutalidade da vida cotidiana rural ou urbana”, responde.

Bárbara Freitas é bailarina e artista-educadora com experiência em diferentes projetos socioeducativos, como os programas Piá e Vocacional. Desde 2004, pesquisa danças populares do Brasil. Atua como intérprete, co-criadora e assistente de direção em performances, parcerias e iniciativas de difusão e criação da dança dentro e fora dos palcos. Participou de montagens com as companhias Núcleo Manjarra, Cia. Artesãos do Corpo, Grupo Afro Ilu Obá de Min e Núcleo Pé de Zamba.


Ethos
com Bárbara Freitas
26 e 27 de agosto
Sexta e sábado, 19h
Centro de Referência da Dança da Cidade de São Paulo – Baixos do Viaduto do Chá, s/n, Centro
Grátis
Livre

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