Novo trabalho do Cena 11 será o “Pokémon GO” da dança

Pode ir baixando sua Pokébola e leia atentamente o texto antes de sair à caça de Pokémons no Auditório Ibirapuera, onde o Grupo Cena 11 vai fazer a pré-estreia de Protocolo Elefante na próxima sexta (26). Aqui, nosso papo sobre realidade aumentada é outro. E começa no lançamento do livro Rumor, nesta terça (23), no Itaú Cultural.

Foto: Divulgação

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Em dezembro de 2014, a companhia baseada em Florianópolis se lançou em uma pesquisa inédita financiada pelo programa Rumos Itaú Cultural. Ao invés de ficarem juntos, eles se separariam. Após o isolamento, o desafio seria se (re)conhecerem uns nos outros e (re)encontrar as razões que os mantêm unidos há mais de 20 anos.

Assim, como no Pokémon GO, os artistas têm percorrido um caminho imprevisível, mas capturando vestígios daquilo que lhes confere identidade como grupo. A dinâmica de afastamento e reaproximação foi dividida em etapas: Auto-Retrato, Espelho, Solilóquio e Reencontro/Acontecimento.

Em Auto-Retrato, os dez integrantes se dedicaram ao longo de quatro meses em fazer um levantamento das próprias referências que tinham sobre si mesmos e que teriam relação com o trabalho coletivo que desenvolvem.

Na etapa Espelho, receberam na capital catarinense Wagner Schwartz, Eduardo Fukushima e Michelle Moura. Cada um destes artistas permaneceu por lá durante cerca de duas semanas em períodos diferentes e tinham como missão responder quem é o Cena 11.

“Esta pergunta ia e voltava. Eles – que têm atuado como solistas – experimentaram o que é ser um grupo e nós nos reconhecíamos de novo através das práticas propostas por eles”, relembra Karin Serafin, integrante do Cena 11. “Fukushima trouxe sua experiência com os orientais; Michelle experimentou coreografias conjuntas e ioga; já Schwartz, que tem relação com a escrita, fez com que entendêssemos melhor o que seria nosso Solilóquio”, pontua.

Os solilóquios marcam a etapa da dispersão. Karin fez um retiro no Morro das Pedras em Florianópolis. Jussara Belchior foi para a Ilha do Mel, no Paraná. Aline Blasius, para a Vila de São Jorge, próximo ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Marcos Klann se refugiou em uma cabana na serra catarinense. Edú Reis Neto preferiu a praia de Garopaba no litoral sul de Santa Catarina.

Para o Estado de São Paulo, vieram Malu Rabelo, que escolheu ficar no Templo Taikanji, localizado em Pedra Bela, e Anderson do Carmo, que se hospedou na antiga casa da escritora Hilda Hilst, em Campinas. Hedra Rockenbach foi para a Cidade do México. Em Minas Gerais, Mariana Romagnani se juntou à tribo indígena dos Maxakali e Alejandro Ahmed ficou em um retiro de hatha ioga e meditação.

O material de registro e anotações produzido durante o isolamento de 15 dias foi tratado por Pedro Franz, dando origem a Rumor, livro (ou documento/ficção, como o Grupo prefere chamar) a ser lançado hoje (23) no Itaú Cultural. Os relatos são apresentados em páginas que misturam textos, desenhos e quadrinhos. No evento, haverá uma fala com o público sobre a trajetória do Protocolo Elefante.

O Reencontro/Acontecimento teve data e hora marcada. Realizado em 5 de agosto de 2015 às 19h30 no Teatro Pedro Ivo em Floripa. O reagrupamento deu início a uma sequência de residências chamada Vestígio e Continuidade, que, para causar estranhamento, deveriam ser realizadas fora da cidade sede da companhia. Campinas (durante a Bienal Sesc de Dança), São Paulo e Dusseldorf, na Alemanha, receberam a atividade e também tiveram mostras públicas destas (con)vivências.

Este é outro ponto relevante. Semelhante à realidade aumentada, que integra os mundos real (hardware) e virtual (software), o Cena 11 sobrepõe o período de Vestígio (inicialmente pensado para ser realizado no Japão) ao processo de pesquisa do Protocolo. “Não é uma etapa. É uma revelação”, explica o diretor e coreógrafo Ahmed. Para ele, as residências se tornaram o lugar de encontro de tudo aquilo que surge quando dançam juntos e não se pode capturar. “É uma memória em dança que não é linearidade histórica”, define.

A estreia definitiva está prevista para dezembro deste ano em São Paulo. Após a pré-estreia em Sampa, a companhia apresenta seu trabalho anterior Monotonia de Aproximação e Fuga para Sete Corpos nos dias 13 e 14 de setembro em Santos, dentro da programação do Mirada. E que também já evidenciava provocações sobre junção e diáspora.

A justificativa para o nome Protocolo Elefante é que, segundo um mito, o elefante quando está prestes a morrer, se afasta da manada. Por isto, o Cena 11 quis descobrir o que os mantém próximos, montando o seu próprio protocolo. Afinal, como eles mesmos questionam, apenas é possível existir um “solitário” porque antes existiu um “coletivo”. Ou seria o contrário?


São Paulo
Lançamento do livro Rumor
Grupo Cena 11 cia. de Dança e Pedro Franz
23 de agosto
Terça, 20h
Itaú Cultural – Sala Vermelha
Grátis
Ingressos distribuídos na bilheteria com 2 horas de antecedência para público preferencial e 1 hora antes para público não preferencial

Protocolo Elefante (pré-estreia)
Grupo Cena 11 Cia. de Dança
26 de agosto
Sexta, 21h
Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer
R$ 20
16 anos

Santos
Monotonia de Aproximação e Fuga para Sete Corpos
13 e 14 de setembro
Terça e quarta, 22h
Mirada – Festival Iberoamericano de Artes Cênicas de Santos
Teatro Brás Cubas
R$ 40
14 anos

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