De puteiro à cadeia, festival Mirada leva teatro a espaços nada convencionais

De Santos*

Que a arte desconhece limites, ah, isso já sabíamos. Mas, a quarta edição do festival Mirada está se superando no quesito uso de espaços não convencionais para apresentações de teatro, performances e dança, programados até o próximo domingo (18) em cidades da Baixada Santista.

Estrutura de artistas mexicanos montada com andaimes. Foto: Mirada (Reprodução)

Estrutura de artistas mexicanos montada com andaimes. Foto: Mirada (Reprodução)

Os teatros Guarany, ColiseuBrás Cubas e Sesc Santos se tornaram pontos isolados no mapa das artes cênicas do evento. Ao adentrar a unidade santista do Sesc SP, o visitante já pode perceber na Área de Convivência a estrutura montada com andaimes dos mexicanos da Compañía Titular de Teatro de La Universidad Veracruzana, que segue mostrando Pisco/Embutidos, Carnecería Escénica de quarta (14) a domingo (18). A unidade também transformou o Ginásio em espaço cênico para abrigar peças do Peru, Brasil, Argentina e Chile.

A histórica Sala Princesa Isabel recebe a montagem espanhola Please continue, Hamlet. O inusitado, neste caso, é que a sala reproduz um tribunal onde público tem uma experiência parecida com a de participar de um julgamento, seja pelo ambiente como pela proposta da encenação. Cabras, da  paulistana Cia. Teatro Balagan, ocupa a belíssima Casa da Frontaria Azulejada, um casarão de meados do século 19  que serviu de galpão e moradia.

A Cadeia Velha – que está sendo chamada de “nova cadeia velha” por causa da recente restauração – até agora recebeu montagens de Brasil e Portugal. A edificação antiga já foi penitenciária, fórum, sede da prefeitura e enfermaria. Hoje é um espaço cultural. Localizada na Praça dos Andradas em frente à Rodoviária de Santos, receberá no final de semana as performances Não alimente os animais, de Jack Soul Revenge Girl, e A Situação da Brasileira, de Grasiele Sousa.

A peça Caranguejo Overdrive, da paulistana Aquela Companhia, e a uruguaia La Ira de Narciso ocupam o C.A.I.S Vila Mathias após apresentações de Marcos Vargas & Chloé Brûlédos, convidados vindos da Espanha. O local funciona como centro de atividades integradas para práticas esportivas; até possui uma arquibancada com capacidade para 5 mil pessoas.

Mas, nada se compara à zona de Zona!. E que fique claro que isto não é um trocadilho. A encenação itinerante do grupo O Coletivo, de Santos, cria o seu próprio território habitado por personagens que fazem alusão à prostituição e à boemia. Requerendo para si um estado de putrefação social, os artistas ocupam um bar, um puteiro, percorrem ruas próximas ao porto e ainda usam barcos para navegar com a plateia nas águas da Bacia do Mercado. O objetivo é recriar um decadente baixo meretrício no melhor estilo Bertold Brecht. As duas últimas sessões serão na calada das noites de quarta (14) e quinta (15).

*A convite do Sesc SP, o Gira SP realiza cobertura do Mirada com colaboração do jornalista Rafael Ventuna.


Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos
8 a 18 de setembro
Informações sobre venda de ingressos e programação completa no site do festival.

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