Vidas de mulheres cientistas são o mote de peça gratuita em São Paulo

Com direção e cenário de Carlos Palma, a peça Insubmissas: Mulheres na Ciência propõe uma viagem pela história com datas precisas, descobertas científicas e detalhes do pensamento de quatro mulheres que revolucionaram a humanidade com suas contribuições: Marie Curie, Bertha Lutz, Rosalind Franklin e Hipácia de Alexandria. A montagem fica em cartaz entre 1 e 29 de outubro na Oficina Oswald de Andrade. A entrada é gratuita.

Resultado do minucioso trabalho de pesquisa do dramaturgo Oswaldo Mendes, a montagem une essas cientistas no palco para que resgatem – e nos contem – suas memórias e as dificuldades para inscrever suas descobertas na história da humanidade. As contribuições extrapolam o desenvolvimento de ideias científicas. São mulheres que modificaram o curso histórico também por suas atitudes desafiadoras.

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Três das personagens retratadas na peça – Marie Curie, Bertha Lutz e Rosalind Franklin – construíram suas carreiras científicas em finais do século 19 e primeira metade do século 20, período em que algumas mudanças – ainda que modestas – nas condições econômicas, políticas e sociais começavam a facilitar o ingresso de mulheres em instituições científicas. Elas são pioneiras, mas talvez a maior das Insubmissas seja Hipácia. Matemática, astrônoma e filósofa, ela lecionou na Universidade de Alexandria em um período em que a presença de mulheres na academia era ainda mais incomum. A cientista morreu apedrejada.

Alguns dramas pessoais são relembrados na peça. Um deles é o escândalo que envolveu o nome de Marie Curie após a morte de seu marido. Acusada de relacionar-se com Paul Lanvegin, um homem casado e mais novo do que ela, Madame Curie foi humilhada pela imprensa francesa e quase não compareceu à cerimônia onde receberia seu segundo Prêmio Nobel, em 1911. Oswaldo Mendes discute o machismo que permeou a vida dessas mulheres por meio de um diálogo entre Madame Curie e sua filha, Irene Curie, também cientista, no qual as personagens questionam o quão poderia ter sido diferente a repercussão do caso se seu protagonista fosse um homem.

O fato de Bertha Lutz, Hipácia e Rosalind Franklin nunca terem se casado ou tido filhos também é lembrado e remete a outra questão: apesar dos espaços conquistados, as desigualdades no âmbito doméstico ainda fazem com que a decisão por constituir uma família pese mais para algumas mulheres. Ou mesmo a simples escolha de não se casar ou não ter filhos. Ainda há preconceito por isso.

 

Divulgação

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Serviço:

Insubmissas: Mulheres na Ciência
Oficina Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, tel. 3221-5558
De 1 a 29 de outubro (não haverá apresentação no dia 20)
De quinta e sexta, 20h; sábados, 19h
Grátis.

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