Peça francesa junta balé e músicas do Romantismo

A peça Lied Ballet faz sessões únicas no Rio de Janeiro, Porto Alegre e no dia 11 de outubro no Teatro Bradesco em São Paulo. Inédita no Brasil, a criação do coreógrafo francês Thomas Lebrun é uma junção de dança com música erudita, ambos referenciados ao Romantismo. No decorrer dos três atos, uma brutal transformação acontece em termos musicais e coreográficos.

Foto: Christophe Raynaud de Lage (Divulgação)

Foto: Christophe Raynaud de Lage (Divulgação)

No assustador primeiro ato, o elenco de oito intérpretes tenta reproduzir expressões faciais encontradas em fotografias de pessoas mortas da era vitoriana, período marcado pela gestão da rainha Vitória no Reino Unido, entre 1837 e 1901. Embora seja executada eletronicamente música contemporânea com instrumentos de corda do compositor italiano Giacinto Scelsi (1905-1988), cenicamente a tradição de fotografar defuntos vai se desbotando na reconstrução de situações sociais que se assemelham muito às caras e bocas que vemos hoje nas ruas, na TV, na internet, enfim, em qualquer lugar.

Criado a convite do renomado Festival D’Avignon em 2014, Lied Ballet teve a participação de um ao lado de um tenor. Que tornava o segundo ato em uma espécie de recital. Mas, na turnê brasileira, as suaves e envolventes músicas do período romântico, predominante na esfera europeia entre 1810 e 1910, serão executadas por uma gravação. Durante a sequência musical, frases conhecidas de balé são encaixadas nas composições dos austríacos Gustav Mahler (1860-1911), Alban Berg (1885-1935) e Arnold Schönberg (1874-1951). A erudição e a precisão na dança e na música são questionadas. Em especial, esse ato é marcado pelo canto de poemas, chamados de lieder, quando escrito em alemão, e que no singular se escreve lied. Daí, já se saca a metade do título da obra.

Foto: Christophe Raynaud de Lage (Divulgação)

Foto: Christophe Raynaud de Lage (Divulgação)

Lebrun preparou um terceiro ato ainda mais provocativo. Passos do ballet vão dando lugar a uma dança livre. E a coreografia torna-se muito contemporânea, fazendo ecoar em looping movimentos e sons do passado, que são acompanhados de uma vertiginosa trilha sonora originalmente composta para a peça pelo parisiense David François Moreau.

Destaque na programação do FranceDanse Brasil 2016, você pode até achar a encenação muito estranha. Mas, as músicas são tão boas que já valem sua ida ao teatro. Afinal, questionar se a canção (lied) se sobrepõe à dança (ballet), ou vice-versa, faz parte da proposta.


Lied Ballet, de Thomas Lebrun
Rio de Janeiro
5 de outubro
Quarta, 21h
Teatro Bradesco Rio
R$ 50 a R$ 180

Porto Alegre
7 de outubro
Sexta, 21h
Teatro do Bourbon Country
R$ 50 a R$ 180

São Paulo
11 de outubro
Terça, 21h
Teatro Bradesco
R$ 50 a R$ 180

Veja também!...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>