Basquete com ópera e ‘rodízio do sexo’ viram temas para coreografias

Coreógrafos brasileiros estão cada vez mais ousados. E buscando inspiração em lugares ainda não visitados e propondo fusões nada convencionais. É nesta vibe que a segunda parte da temporada da São Paulo Companhia de Dança (SPCD), em cartaz neste mês de novembro no Teatro Sérgio Cardoso, traz as estreias de Jomar Mesquita, com colaboração de Rodrigo de Castro, e de Fabiano Lima.

Bailarinos em "Pivô". Foto: Wilian Aguiar (Divulgação)

Bailarinos em “Pivô”. Foto: Wilian Aguiar (Divulgação)

A noite – dedicada a criações de convidados nacionais – começa com a reapresentação de GEN, de autoria de Cassi Abranches. Concebida em 2014, a coreografia é tida como um marco na carreira de Cassi, que até então oscilava entre as atuações como bailarina e coreógrafa.

“Desde o início da SPCD, privilegiamos experimentações que olham o Brasil em movimento”, relembra Inês Bogéa. Para ela, a companhia na qual é diretora artística reflete a diversidade do nosso país. “Ao ver as coreografias, percebe-se a singularidade de cada assinatura em diálogo com os artistas da casa”.

Sendo assim, Pivô confirma claramente isto. Exibida pela primeira vez, a criação de Fabiano Lima, paulistano radicado em Goiânia, junta traços da cultura brasileira originários e importados, como referências aos indígenas, à ópera O Guarani composta por Carlos Gomes (1836-1896), ao hip hop e ao basquete. O título é uma referência à posição neste esporte que equivale ao atacante no futebol. “É instigante e desafiador. Deixa a plateia sem respirar até que termine”, define Inês.

Bailarinos em "NGALI...". Foto: Wilian Aguiar

Bailarinos em “NGALI…”. Foto: Wilian Aguiar (Divulgação)

Jomar Mesquita e Rodrigo Castro também quiseram fazer uma fusão. Um pouco mais apimentada pode se dizer. Recorreram à peça La Ronde (em alemão, Reigen), escrita em 1897 pelo austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931). Para sintetizar o rodízio amoroso da obra, foi escolhido um pronome usado pelos aborígenes australianos. NGALI… significa “nós dois” e as reticências sugerem a existência de um outro alguém.

No texto teatral, uma prostituta se relaciona com um soldado que se relaciona com uma empregada doméstica que se relaciona com um jovem rapaz que se relaciona com uma esposa que se relaciona com um marido que se relaciona com uma senhorita que se relaciona com um poeta que se relaciona com uma atriz que se relaciona com um conde que se relaciona com a prostituta, retomando o início ciclo.

Os coreógrafos de Belo Horizonte nos fazem até lembrar dos versos de Quadrilha, do mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Aquele poema em que João amava Teresa que amava Raimundo… E cujo final, não é nada romântico, né?

A SPDC segue até 27 de novembro com sua temporada Jogo de Linhas. Na próxima semana, sobem ao palco coregrafias de Marco Goecke, Márcia Haydée e Pablo Aharonian.


Temporada Jogo de Linhas
São Paulo Companhia de Dança
4 a 27 de novembro
Quintas, 21h; sextas; 21h30, sábados, 21h; e domingos, 18h
Teatro Sérgio Cardoso
R$ 20 a R$ 40
Livre


17 a 20 de novembro
GEN (2014)
de Cassi Abranches
19 min
Pivô (estreia)
de Fabiano Lima
16 min
NGALI… (estreia)
de Jomar Mesquita, com colaboração de Rodrigo de Castro
20 min


24 a 27 de novembro
O Corsário – Grand Pas de Deux (estreia)

a partir do original de Marius Petipa
10 min
O Talismã – Pas de Deux (estreia)
de Pablo Aharonian, a partir do original de Pyotr Gusev
14 min
Fada do Amor (estreia)
de Márcia Haydée
5 min
Carmen – Pas de Deux (estreia)
de Márcia Haydée
13 min
Peekaboo
de Marco Goecke
19 min

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