EM AGOSTO, HIP-HOP BLUES – ESPÓLIO DAS ÁGUAS, CRIAÇÃO DO NÚCLEO BARTOLOMEU DE DEPOIMENTOS, TEM SESSÕES NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO

O espetáculo será apresentado no Teatro Arthur Azevedo de 24 a 27 de agosto; todas as apresentações têm ingressos gratuitos.

Elenco de Hip-Hop Blues – Espólio das Águas – Elenco: Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva. 

Violão e guitarra: Dani Oliva 

 Foto: Matheus José Maria 

A mais recente criação do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, Hip-Hop Blues – Espólio das Águas faz apresentações no Teatro Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca), de 24 a 27 de agosto de 2023 – Quinta, Sexta e Sábado às 21h e Domingo às 19h. Os ingressos são gratuitos. Acontecem também oficinas ligadas à criação do espetáculo e do Teatro Hip Hop – as informações completas estão no serviço abaixo.

Quando a pandemia pelo novo Coronavírus começou, em 2020, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos iniciou as comemorações dos 20 anos de atividades continuadas. Em 2022, atravessados e tocados pelas consequências devastadoras causadas pela doença e pelo momento político crucial que o país atravessava, o coletivo estreou em 2022 o Hip-Hop Blues – Espólio das Águas, seu 18º espetáculo do repertório.

“Esse espetáculo é resultado de um processo pós-pandêmico em diálogo com a reflexão  sobre os 20 anos de pesquisa continuada do Núcleo Bartolomeu. Ele foi se desconstruindo do que era inicialmente, uma narrativa única, e como um mosaico agregou depoimentos propostos à luz de tudo o que estávamos e continuamos vivendo individual e coletivamente” fala Claudia Schapira, diretora e dramaturga do espetáculo.

Como diz o próprio nome do grupo, o Núcleo Bartolomeu trabalha a partir de depoimentos. E é a partir desses relatos coletados que Hip-Hop Blues – Espólio das Águas é construído, costurado com música (apresentada ao vivo), performances, ações dramáticas e coreografias.

Integram o elenco Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva.

Enxurrada

A ideia da peça começou a ser construída em 2020 quando a obra “Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses” de Bertold Brecht, serviu como disparador para a criação do espetáculo. Conforme o processo foi  avançando, e com a chegada da pandemia e os questionamentos trazidos por essa situação catastrófica, Hip-Hop Blues – Espólio das Águas tomou novos rumos. O rio Mississipi presente na obra de Brecht como percurso foi transposto como metáfora para os rios soterrados da cidade de São Paulo, que transbordantes em dias de chuva, trazem escombros à superfície, matéria prima para a construção das cenas.

“Assim fomos entretecendo narrativas, mergulhando por  necessidade, em busca das  histórias soterradas, de sentimentos escondidos, memórias que vieram à superfície para por fim serem reveladas”,  explica Claudia Schapira.

Partindo de depoimentos pessoais do elenco, que foram confrontados com questões contemporâneas ligadas ao eurocentrismo presente na sociedade brasileira, o Núcleo Bartolomeu entrou num intenso processo de construção-desconstrução-reconstrução, até chegar à versão  final do espetáculo. Cabe lembrar, entretanto, que  o teatro hip hop e  sua linguagem contracena com  o tempo que lhe cabe, e assim o espetáculo passa sempre por ajustes e atualizações a cada nova temporada.

“A cheia veio, os rios subiram, transbordaram, desceram e deixaram como espólio memórias d’água. Essas memórias são a matéria prima com a qual fomos trabalhando, entretecendo as narrativas”, fala Claudia Schapira.

Mais detalhes sobre a encenação

Depois da encenação de último espetáculo “Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias” baseado em um dos textos mais propositivos de Brecht, Hip-Hop Blues – Espólio das Águas traz uma faceta mais  processual e performática do Núcleo, que procura elaborar cenicamente os confrontos com a palavra, a forma, a representação, a  linguagem, dentre tantas outras questões que nos desafiam nesse tempo que nos toca  viver.

O texto costurado por Claudia Schapira, a partir de fragmentos de memórias coletivas, assimilando depoimentos pessoais do elenco, ora comentam a realidade, ora desenvolvem pequenas narrativas que se relacionam com ela criando um tecido polifônico que reverbera a impossibilidade de um discurso unificado.

A música exerce papel central em Hip Hop Blues, confluindo grande parte dos textos. “O blues é apresentado como visão de mundo, como forma de resistência e de protesto. Como ágora capaz de abrigar todas as diásporas, todos os levantes e de dar contorno ao momento desafiador pelo qual estamos passando; que lança mão do ritmo e da poesia como se fosse reza, como se fosse lamento, também reivindicação e luta, sem abrir mão do poder transformador da celebração”  diz Claudia Schapira.

O cenário proposto por Marisa Bentivegna procura trazer para a cena o elemento água – e em diálogo com a  iluminação de Matheus Brant e as imagens de Vic Von Poser – criando uma instalação que interpela a narrativa e interfere  em seu curso. A dramaturgia sonora, as diferentes vozes, as partituras de movimento, e os figurinos, somam-se a esse contexto materializando a experiência do atravessamento pelas águas.

Além dos quatro membros-fundadores do Núcleo – Claudia Schapira, Eugênio Lima, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D’ Alva -, o espetáculo ainda conta com Cristiano Meirelles, Dani Nega, Nilcéia Vicente e Daniel Oliva, artistas-aliados que já colaboraram com coletivo Bartolomeu em outras produções. Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, Aretha Sadick e Zahy Guajajara, se juntam ao elenco formando a narrativa com a adição do vídeo, trazendo vozes que fortalecem o discurso na busca da construção de outras realidades possíveis.

“Estamos em um momento onde precisamos ouvir e interagir com diferentes discursos, outras narrativas que não só as nossas. Nesse sentido, convidar artistas que trouxeram essas vozes não só ampliou, mas também fortaleceu um vislumbre que se renova em direção ao futuro”, diz  Schapira.

Os 20 anos e o trabalho durante a pandemia

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos completou 20 anos de criação e de atuação contínua com a construção da linguagem do teatro hip-hop e ganhou comemoração com diversas atividades programadas ao longo de 2021 e 2022. Agora já são 23 anos de pesquisa.

Durante esses dois últimos anos, o coletivo ofereceu diversas atividades virtuais e gratuitas ao público – rodas de conversas, oficinas, campeonatos de slam, releituras dramáticas por outros coletivos aliades e espetáculos audiovisuais (Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Aquilombados no Oficina e Hip-Hop Blues).

Essas duas décadas de intenso trabalho originaram não só uma cartografia que mescla linguagem e trajetória do grupo, mas também reflexões e um importante olhar para o futuro na formação de novos imaginários.

Dentre as comemorações dos 20 anos  que aconteceram nesse período vale ressaltar também o lançamento  a “A Palavra como Território – Antologia Dramatúrgica do Teatro Hip-Hop”, livro que  reune 14 peças do Núcleo Bartolomeu com apresentações de convidades como Zé Celso Martinez Correa, Jé Oliveira, Georgette Fadel, entre outros.

Este projeto foi realizado com apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura e agora faz  sua circulação mediante o prêmio Zé Renato.

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, formado por Claudia Schapira, Eugênio Lima, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D’Alva, nasceu no ano de 2000 e tem como pesquisa de linguagem o diálogo entre a cultura hip-hop, com a contundência da autorrepresentação como discurso artístico, e o teatro épico e seus recursos: o caráter narrativo, apoiado por uma dramaturgia que se configura depoimento do processo histórico; como instrumento que elucida uma concepção do mundo, e coloca o ator-narrador em face de si mesmo como objeto de pesquisa; como homem mutável; em processo, fruto do raciocínio, da reflexão.

Estreou em 2000 Bartolomeu, O Que Será que Nele Deu, o primeiro espetáculo do Núcleo, dirigido por Georgette Fadel e inspirado no romance de Herman Melville “Bartleby, O Escriturário”. Acordei Que Sonhava, uma livre adaptação de “A Vida É Sonho”, de Calderón de la Barca, foi o segundo espetáculo da companhia, estreado em 2002, dirigido por Claudia Schapira.

Entre os anos de 2002 e 2003, o Núcleo desenvolveu Urgência nas Ruas – obras-manifesto, intervenções pelas ruas de São Paulo. Esse projeto foi o primeiro a ser contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Em 2006 estreia Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio de Lendas Urbanas, espetáculo inspirado na Odisseia de Homero.

5 x 4 – Particularidades Coletivas, de 2008, gerou cinco espetáculos: Encontros Notáveis, 3×3 – Três DJs em busca do vinil perdido, Manifesto de Passagem – 12 Passos em Direção à Luz, Vai te Catar! e Cindi Hip-Hop – Pequena Ópera Rap.

Em 2009, o Núcleo iniciou Pajelança de Kuarup no Congá, que depois de quase três anos de intensa pesquisa resulta no espetáculo Orfeu Mestiço, uma Hip-Hópera Brasileira.

Antígona Recortada estreou em 2013 e em 2014, BadeRna, último espetáculo realizado na sede do grupo, que foi demolida pela Ink Incorporadora e todos seus associados.

No Teatro de Arena Eugênio Kusnet, realizou a Ocupação Arena Urbana – De onde viemos, para onde voltamos (em 2015) que contou com a temporada de três obras inéditas: Memórias Impressas, Olhos Serrados e 1, 2, 3 – Quando acaba começa tudo outra vez (que marcou a incursão do grupo no universo do teatro infantil).

Em maio de 2016, estreou Cassandra – Na calada da voz, uma performance teatral, trazendo à luz a violência infringida através dos tempos ao discurso feminino.

Em 2022 estreou Hip-Hop Blues – Espólio das Águas resultado de um processo pós-pandêmico em diálogo com a reflexão sobre os 20 anos de pesquisa continuada do Núcleo Bartolomeu. O texto traz depoimentos do elenco, ora comentam a realidade, ora desenvolvem pequenas narrativas que se relacionam com ela.

Além dos espetáculos, o Núcleo criou vários projetos, em 2008, ZAP! Zona Autônoma da Palavra, o primeiro poetry slam (campeonato de poesia) brasileiro, que deu origem ao SLAM SP e ao SLAM BR e, em 2009, DCC – Dramaturgia Concisa e Contemporânea, um espaço dedicado à criação e debate sobre produção de textos cênicos curtos e inéditos.

Sinopse

Em um galpão, algo que parece ser um teatro,  artistas da cena  refletem e  ensaiam tentando dar contorno a estes tempos. Partindo de depoimentos pessoais do elenco, que foram confrontados com questões contemporâneas ligadas ao eurocentrismo presente na sociedade brasileira, o Núcleo Bartolomeu entrou num intenso processo de construção-desconstrução-reconstrução, até chegar à versão  final do espetáculo. É um espetáculo feito de espólios. Cabe lembrar, entretanto, que  o teatro hip hop e  sua linguagem contracena com  o tempo que lhe cabe, e assim a obra passa sempre por ajustes e atualizações a cada nova temporada. Convidamos todes a esse mergulho num recorte do tempo! Laroyê!

Ficha Técnica

Direção: Claudia Schapira

dramaturgia: Claudia schapira e elenco

Atores/Atrizes-MC’s e dramaturgia: Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva

Músico: Daniel Oliva (Guitarra)

Assistência de direção: Rafaela Penteado

Cenografia: Marisa Bentivegna

Desenho de Luz: Matheus Brant

Adaptação de Mapa e Operação de Luz: Nara Zocher

Montagem de Luz: Matheus Brant, Matheus Ferreira e Nara Zocher

Criação de vídeo: Vic von Poser

Operação de vídeo: Vic von Poser, Julia Ro e Gabriela Miranda

Técnico de Som: João de Souza Neto e Clevinho Souza

Cenotécnico e assistente de palco: Wanderley Wagner da Silva

Figurinos: Claudia Schapira

Figurinista assistente: Maria Eugenia Portolano

Direção de Produção: Mariza Dantas

Produção Executiva: Quica Produções | Thais Venitt e Thais Cris

Coordenadora Projeto: Jessica Rodrigues (Contorno Produções)

Coordenação das redes sociais: Vanessa de Campos

Programação Visual e Desenhos: Murilo Thaveira

Fotos divulgação: Sérgio Silva

Serviço

Hip-Hop Blues – Espólio das águas

🎭TEATRO: Arthur Azevedo [Zona Leste]

DATAS: 24/08 a 27 de agosto de 2023

HORÁRIO: Quinta, Sexta e Sábado às 20h e Domingo às 19h

(Sábado – Oficina às 14h às 18h / Domingo –  Debate após o espetáculo)

VALOR DO INGRESSO: Gratuito – Presencial

END.: Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo – SP, 03115-020

Telefone: (11) 2604-5558

OFICINA

OFICINA: Teatro Hip-Hop com Luaa Gabanini do grupo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

DATA: 26 de agosto de 2023

HORÁRIO: 14h às 18h

Link Inscrição:  https://forms.gle/3kyCtbt42zTqFCxZA

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